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Sob o risco de virar réu, Cunha tenta mudar o foco para pautas econômicas

Presidente da Câmara anunciou a criação de comissões para analisar mudanças no modelo de exploração do pré-sal e reforma da Previdência

A dois dias de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se torna Eduardo Cunha (PMDB-RJ) réu pelo envolvimento no escândalo do petrolão, o presidente da Câmara decidiu encampar uma série de iniciativas que, se avançarem, criariam um ambiente positivo e de proatividade na Casa, que está muito perto da constrangedora situação de ter no comando um parlamentar no banco dos réus por envolvimento no esquema bilionário de corrupção descoberto no âmbito da Lava Jato. Cunha anunciou nesta segunda-feira a formalização de duas comissões especiais: uma para discutir a participação da Petrobras na exploração do pré-sal e outra para analisar a reforma da Previdência – medidas que poderiam ajudar a reerguer a economia brasileira em um momento de recessão.

Os dois temas são tidos como prioritários para o governo, mas encontram resistência inclusive do Partido dos Trabalhadores. Com o apoio do Planalto, o Senado aprovou na semana passada a retirada da participação mínima de 30% da Petrobras no consórcio de exploração do pré-sal. O texto, agora, segue para a Câmara, onde será discutido em um colegiado e deve sofrer modificações. Cunha fez questão de destacar que há propostas na Casa que poderiam ir direto ao plenário caso seja aprovado um pedido de urgência.

Já a Reforma da Previdência foi anunciada pelo governo em meio à pressão por medidas para tirar a economia do atoleiro. O texto da matéria, porém, nem sequer foi encaminhado ao Congresso. Ao anunciar o avanço da matéria, Cunha afirmou que a medida foi tomada porque o governo “anuncia que vai mandar [o projeto], mas não manda”.

O presidente da Câmara ainda quer tirar do papel uma proposta historicamente travada no Congresso: a Reforma Tributária. Ele promete instalar a comissão específica para analisar o tema nos próximos trinta dias. “O objetivo não é confrontar [o governo], é fazer. Não é contrapor, é fazer andar. Nós temos uma ação proativa como a que tivemos ano passado e vamos continuar dando esse ano. Não é o fato de que o governo não manda a proposta e as coisas não acontecem vindo do poder Executivo que nós vamos ficar parados. Vamos ter nossas ações”, afirmou o peemedebista.

Cunha minimizou a decisão de paralisar a instalação das demais comissões da Casa enquanto aguarda o Supremo deliberar sobre os embargos do rito do impeachment e ponderou que é necessário ter “maturidade” sobre a importância de se votar “necessidades do país”. O peemedebista também afirmou que não vê “nenhuma diferença” sobre a possibilidade de virar réu pelo STF. “Tornar-se réu não significa que é condenado. Significa apenas a continuidade da ação”, disse, acrescentando que já foi réu uma vez e acabou absolvido.

O peemedebista ainda ignorou o resultado de pesquisa feita pelo instituto Datafolha, que apontou que 76% dos brasileiros defendem a sua renúncia, e ironizou a situação da presidente Dilma Rousseff, também com os índices de popularidade no chão. “Há um número considerável de quem gostaria que a presidente saísse. Se for nesse sentido, vamos procurar então a saída da presidente. Eu não preciso ter popularidade. Diferentemente da presidente da República, que foi eleita pela maioria da população brasileira, eu fui eleito por um segmento do meu Estado. Não tem recall de eleição de presidente da Câmara assim como não tem recall pra presidente da República. Alias, é ate uma proposta boa que poderia ser discutida num futuro: recall para todos”, disse.