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Sob escolta, Lula participa de velório do neto de 7 anos em São Bernardo

Ex-presidente ficou cerca de duas horas com Arthur, que foi cremado; petista já retornou à superintendência da PF em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta das 11h deste sábado, 2, ao Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo, para o velório e a cremação de seu neto Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu nesta sexta-feira, 1º, em decorrência de uma meningite meningocócica. Sob escolta da Polícia Federal, o petista entrou no local por um portão alternativo à entrada principal, onde alguns manifestantes estavam reunidos.

Lula ficou quase duas horas com amigos e familiares, os únicos autorizados a entrar na capela onde o corpo do neto foi cremado — o mesmo onde ocorreu a cremação da ex-primeira-dama Marisa Letícia em 2017. O ex-presidente deixou o local por volta das 13h sob os gritos de  “Lula guerreiro do povo brasileiro” entoado por apoiadores que estavam do lado de fora.

O petista seguiu em um helicóptero da Polícia Federal para o aeroporto de Congonhas, de onde voltou para a sede da PF em Curitiba a bordo de um avião cedido pelo governo do Paraná. O petista cumpre pena por sua condenação na operação Lava Jato na superintendência da Polícia Federal na capital paranaense.

De acordo com policiais militares que estavam no local, cerca de 300 agentes foram deslocados para a operação no cemitério. O acesso à capela era restrito, embora a rampa de acesso tenha ficado lotada o tempo todo. Um amigo do família ajudava a fazer a triagem de pessoas na entrada de cemitério, que chegou a abrir os portões por alguns instantes, o que permitiu que centenas de pessoas se aglomerassem no entorno da capela.

O ex-senador Eduardo Suplicy (PT), hoje vereador em São Paulo, relatou a VEJA que Lula estava abatido e chorou muito ao agradecer os cumprimentos e manifestações de solidariedade que recebeu.

Tudo o que envolveu a vinda do ex-presidente – horários, percursos e convidados para a cerimônia – a São Bernardo do Campo foi mantido em segredo pelo partido. De assessores aos fundadores do PT, passando por amigos de Lula, todos se negaram a dar qualquer tipo de informação sobre a viagem. Trata-se de orientação dos advogados do ex-presidente, que se comprometeram com a Lava Jato a evitar, com o silêncio, a mobilização de apoiadores e detratores do ex-presidente.

Após militantes gritarem “Lula livre” dentro do cemitério, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, saiu da capela para explicar que Lula não poderia falar com eles em razão das condições impostas pela Justiça. Okamotto pediu que os presentes fizessem uma oração ao neto do petista.

A autorização para a despedida do neto foi concedida com base na Lei de Execução Penal, que estabelece a permissão de saída de presos para velórios e enterros de familiares, incluindo descendentes.

É a primeira vez que o ex-presidente deixa a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde está desde abril de 2018. No mês passado, Lula foi impedido pela Polícia Federal de acompanhar o velório e enterro do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá. A justificativa para impedir a saída de Lula na ocasião foi o risco de grande mobilização popular. Algo que, para a PF, “colocaria em risco a integridade” do petista.

O ex-presidente veio para São Paulo em aeronave do governo do Paraná, cedida a pedido da Polícia Federal, pelo governador Ratinho Júnior (PSD). Do aeroporto de Congonhas, foi levado a São Bernardo em um helicóptero da Polícia Federal.

Arthur visitou o avô por duas vezes na sede da PF, no ano passado. Ele é filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente e da ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro de 2017.

Ao contrário do que ocorreu em casos anteriores, quando outros pedidos semelhantes do ex-presidente foram negados, os advogados de Lula se comprometeram desta vez a “não divulgar qualquer informação relativa ao trajeto que será realizado” e disseram que irão informar o local da cerimônia de sepultamento “diretamente à autoridade policial”.

Militantes petistas, desta vez, também decidiram não fazer atos em frente à Polícia Federal de Curitiba, em uma tentativa de “garantir todo o respeito e condições necessárias para que, ainda hoje [sexta], Lula tenha o direito de se despedir do neto querido”, segundo nota assinada pela Vigília Lula Livre.

Horas depois do pedido da defesa, o processo de execução penal de Lula, conduzido pela juíza Carolina Lebbos, foi colocado em sigilo nível 4. Assim, ele só pode ser visualizado pelo juiz e alguns servidores da vara.

No mês passado, a PF negou autorização para que o ex-presidente saísse da prisão para ir ao enterro do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, sob o argumento de falta de aeronaves e de risco à segurança de Lula e à ordem pública.

Comentários

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  1. Eduardo Martins

    Se tivesse sido honesto não teria passado por todo esse transtorno. Se a decisão fosse minha, eu não liberava. Acho até que esse presidiário já deveria ter sido transferido para uma cela comum. Regalias demais.

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  2. Eduardo Martins

    Canalha !!!

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