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Severino: o dia em que o ‘baixo clero’ estraçalhou o PT

Na madrugada que o Partido dos Trabalhadores jamais esqueceu, o folclórico deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) desbancou o petista Luiz Eduardo Greenhalgh, candidato de Lula à presidência da Câmara dos Deputados

Eram 6h40 da manhã de uma terça-feira de 2005 quando o então ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, telefonou para o chefe, em viagem ao Suriname, para dar a nada alvissareira notícia do dia. Do outro lado da linha, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvia incrédulo que o desconhecido Severino Cavalcanti (PP-PE) havia desbancado seu candidato, o petista Luiz Eduardo Greenhalgh, e sido eleito presidente da Câmara dos Deputados. Não era piada.

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As plataformas de campanha daquela eleição não poderiam ter sido mais sindicais. Fermentada em promessas de aumento de verbas de gabinete e de salários de parlamentares, a vitória foi construída à base do corporativismo explícito a uma massa de parlamentares sem influência política. De quebra, tirou vantagem do desprezo do governo Lula que comprava votos no Congresso e do racha inédito entre os próprios petistas, que tinham como candidato, além de Greenhalgh, o mineiro Virgílio Guimarães.

Na votação em que o autoproclamado “rei do baixo clero” chegou à segunda posição na linha sucessória – com 105 votos de vantagem sobre o segundo colocado -, o plenário da Câmara ficou temporariamente às escuras em um possível prenúncio do ocaso do governo Lula no Legislativo e em todo aquele ano de 2005. Depois da vitória de um parlamentar que, como corregedor da Casa, defendeu a absolvição até de Hildebrando Pascoal, condenado futuramente por esquartejar adversários com uma serra elétrica, o governo nunca mais foi o mesmo.