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Senador mais jovem é do Acre e defende o agronegócio

Gladson Cameli (PP) foi eleito aos 36 anos, assim como sua conterrânea há 20 anos, Marina Silva. Mas, ao contrário da ex-candidata à Presidência, ele conquistou votos defendendo o agronegócio

Por diferença de apenas um mês, o senador eleito pelo Acre neste ano, Gladson Cameli (PP), desbancou Marina Silva do posto de parlamentar mais jovem já eleito para a Casa. Aos 36 anos e sete meses, Cameli recebeu 58,63% dos votos no mesmo Estado pelo qual, em 1994, Marina Silva venceu sua primeira eleição majoritária, aos 36 anos e oito meses. As coincidências entre os senadores mais jovens já eleitos, porém, se resumem à pouca idade e à votação expressiva – Marina obteve 64,4% dos votos para o Senado há exatos 20 anos. Diferentemente de Marina no início de sua carreira política, Cameli pertence a uma sigla ideologicamente de direita, o Partido Progressista, e recebeu votos por defender interesses alinhados ao agronegócio, como obras de infraestrutura no Acre, redução da conta de energia elétrica e defesa da redução da maioridade penal. Gladson é de uma família tradicional do Acrek, herdeiro político de Orleir Cameli, seu tio e governador do Estado entre 1995 e 1999. Morto no ano passado, o ex-governador era inimigo político de Marina nos anos 1990, a quem ela acusava de ter superfaturado a obra de construção da BR-364, que cruza o Estado passando pela capital Rio Branco. Se quando foi eleita senadora pelo PT Marina enfrentou oposição ferrenha do ex-governador Cameli, Gladson deparou-se com ataques constantes de petistas, que governam o Estado há 16 anos. Leia a entrevista site de VEJA.

Por que decidiu disputar o Senado tão jovem? Eu fui eleito deputado estadual em 2006 com 18.000 votos e reeleito em 2010 com quase o dobro. Sempre fui muito presente em todos os municípios e o povo me cobrou muito uma campanha por cargo majoritário.

Como enfrentou a hegemonia do PT durante a campanha? Os ataques à minha campanha foram muito baixos, apelaram para o lado pessoal, disseram que eu era muito jovem e não daria conta, mas eu decidi não responder aos ataques. Além disso, enfrentei a máquina nas três esferas do poder, todas ocupadas pelo PT. Não podia andar na rua e fazer corpo a corpo que me deparava com a militância da oposição. Ficou um clima muito ruim na reta final. Mesmo assim, a população me elegeu com 82.000 votos a mais do que a minha adversária, Perpétua Almeida (PCdoB). Tenho consciência que isso torna a minha responsabilidade ainda maior.

A que o senhor atribui a vitória? A população clama por alternância no poder e proporcionamos isso ao fazer uma nova política, sem baixarias, focada no povo acreano. No Senado, vou procurar o apoio dos senadores Jorge Viana (PT) e Sergio Petecão (PSD) para fazer o melhor pelo Acre. Temos que superar as diferenças partidárias em prol do povo acreano.

Como o senhor explica o fato de o Acre ter novamente eleito o senador mais jovem? Acho que ocupamos um vácuo político nos momentos em que fomos eleitos. Marina teria dificuldade de ser senadora aqui hoje em dia. No passado, ela ganhou por defender a luta ambiental, mas as políticas contra o desmatamento que ela implementou no Senado gerou muita insatisfação. As multas altíssimas incidiram também sobre o produtor rural, que vive do que planta em sua terra. Essa linha muito radical dela, por sua vez, abriu um novo vácuo político no Acre. Há um sentimento de mudança, as pessoas não queriam votar na hegemonia de 16 asnos, queriam um candidato preparado para representar o Estado de maneira integral nos debates nacionais que ocorrem no Senado. Mas, eu sempre respeitei a Marina, se ela fosse para o segundo turno, eu lhe daria meu apoio sem nem ela pedir.

O senhor defende os interesses do agronegócio? Defendo o desenvolvimento do Acre, como a construção da ponte sobre rio Madeira que está há doze anos no papel. No passado, ficamos isolados por causa da cheia do rio Madeira, essa é uma obra pela qual eu vou defender e lutar no Senado. Sou a favor também de reformas politicas e redução da maioridade penal. Se um jovem pode votar aos 16 anos, por que não pode também responder por seus atos?

Como sua história familiar influencia sua carreira política? Influencia muito. Logo após das eleições de 2010, meu tio (o ex-governador do Acre Orleir Cameli) começou a me convencer a lançar minha candidatura ao Senado. Sou filiado ao PP desde 2005 por causa da influência dele também. Sempre tive contato com lideranças do partido, como o senador Francisco Dornelles e a senadora Ana Amélia Lemos.