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Segurança é reforçada em zona de conflito com índios na Amazônia

Exército e polícias iniciam buscas por três desaparecidos em território indígena. Moradores incendiaram sede da Funai e destruíram pedágio na BR-230

Por Da Redação 28 dez 2013, 17h54

Soldados do Exército e agentes de forças policiais reforçaram neste sábado a segurança na cidade de Humaitá, no Amazonas, onde índios e moradores entraram em conflito nesta semana, depois do desaparecimento de três homens no último dia 16. A operação policial tem objetivo de evitar novos confrontos na região e buscar desaparecidos dentro do território indígena. Cerca de 400 agentes de segurança participarão da força-tarefa, entre soldados do Exército e agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar do Amazonas.

Os moradores da cidade atribuíram a índios da etnia Tenharim a responsabilidade pelo sumiço de Aldeney Ribeiro Salvador, técnico da Eletrobrás, do professor Stef Pinheiro e do comerciante Luciano Ferreira Freire. Em protesto pelo desaparecimento, um grupo incendiou na quarta-feira a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), um barco e carros do órgão. Na quinta-feira, eles destruíram um ponto de controle que os índios usavam para cobrar pedágio dos veículos que passam em uma estrada que cruza a reserva dos Tenharim. Cerca de 140 índios estão abrigados em um quartel do Exército para evitar novos conflitos.

“Houve retaliação da população por causa do sumiço das três pessoas, alguns atos de vandalismo, mas com o envio das forças federais a situação na cidade está controlada. Esses problemas estão sob controle”, disse o agente da PF de Rondônia Mário de Azevedo Marcondes Filho à Agência Brasil.

Os três desaparecidos teriam sido vistos pela última vez de carro, perto do quilômetro 85 da BR-230, a Transamazônica, no sul do Estado. A informação no município é que os homens teriam sido sequestrados e mortos pelos índios Tenharim, que assim vingariam a morte do cacique Ivan Tenharim. Segundo a versão oficial da morte do cacique, ele sofreu um acidente de moto na rodovia. Para os índios, ele foi assassinado por descontentes com a presença deles nas cidades e com a cobrança de valores entre 15 e 100 reais de pedágio para passar pelas terras da reserva. Os índios negam a acusação de sequestro.

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Ruralistas – Entidades ligadas aos produtores rurais também divulgaram uma nota cobrando ações do Ministério da Justiça e da Funai em Humaitá. Destacando o “clima de guerra” na região, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) criticaram a forma como o governo federal conduz a questão da demarcação de terras indígenas no país.

“Há tempos, a CNA vem alertando a nação para as consequências danosas da forma irresponsável e omissa com que o Ministério da Justiça e a Funai têm tratado a questão indígena no Brasil. A omissão e os equívocos das autoridades é que têm fomentado o conflito de forma artificial e elevado a tensão a um grau inédito no país”, acusa a confederação, presidida pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).

A Faea cobrou das autoridades “medidas urgentes” para localizar os desaparecidos e acusou a Funai de omissão no caso. A federação afirma que não aceita a cobrança de pedágio em trecho da Transamazônica, “que tem afrontado, humilhado e provocado insegurança às pessoas que trafegam nesse trecho da rodovia, em flagrante ato inconstitucional contrário ao direito de ir e vir dos brasileiros”.

Em nota, a Funai repudiou os “atos de vandalismo” cometidos pela população de Humaitá e esclareceu que não compete ao órgão investigar o desaparecimento de pessoas. “Solicitamos que a população atue no sentido de contribuir também com a reversão desse quadro perigoso e negativo, com a liberação dos acessos aos municípios da região para que as autoridades policiais possam realizar seus trabalhos e tranquilizar todos os moradores”, disse a Funai.

(Com Efe e Estadão Conteúdo)

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