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Secretário de Cabral é acusado de crime eleitoral

Ministério Público apura denúncias de que o secretário de Transportes, Júlio Lopes, fez campanha fora de época, em prédio público

Por Cecília Ritto - 18 out 2011, 17h19

O Ministério Público estadual abriu inquérito civil para investigar denúncias de improbidade administrativa e crime eleitoral contra o secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, Júlio Lopes. O MPRJ vai investigar se Lopes, ao ceder o prédio da Rio Trilhos ao Centro Cultural Cordão do Bola Preta, utilizou o espaço, para fazer campanha política. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio (Sinpol) encaminhou à Justiça as fotos de Lopes fazendo propaganda de sua candidatura como deputado federal pelo PP no local. O sindicato também denunciou o secretário por começar a campanha antes do período eleitoral, já no dia 22 de julho de 2010. No ano passado, Lopes conseguiu uma cadeira na Câmara Federal, mas se licenciou para assumir a secretaria de Transportes.

O sindicato tem uma pendenga antiga com Lopes. O prédio cedido ao bloco carnavalesco Cordão do Bola Preta serviu de sede à entidade em 2003. Segundo o relato do presidente do Sinpol, Fernando Bandeira, naquela época havia apenas uma fachada e um terreno abandonado. Foram gastos 300 mil reais para construir a sede. Em 2005, os policiais foram despejados e recorreram à Justiça. No ano seguinte, foi autorizada a doação em comodato. Em 2008, no entanto, com a eleição do governador Sérgio Cabral, houve um pedido para revisar esse trâmite, o que demorou um ano e meio. Quando tudo parecia certo para o retorno da ocupação do prédio pelo Sinpol, surgiu Lopes no caminho. Em 2010, segundo relato de Bandeira, Lopes cedeu o espaço para o Centro Cultural.

“O mais grave são as irregularidades desse comodato feito com o Centro Cultural do Bola Preta. São seis sócios, apenas dois são realmente do Bola Preta (bloco de carnaval do Rio) e outros dois são funcionários da Rio Trilhos. É uma falcatrua do governo do estado”, afirma Bandeira.

No inquérito, aberto pelo promotor Rogério Pacheco, há quatro determinações. Entre elas, um oficio pede que seja explicado como o prédio vem sendo usado pelo Centro Cultural do Bola Preta. O prazo para que essas informações cheguem ao MP é de 20 dias.

O secretário Júlio Lopes passou recentemente por um grande desgaste, com a tragédia do bonde de Santa Teresa, que expôs a incompetência da secretaria na gestão do transporte símbolo do bairro conhecido como a Montmartre carioca. E, diante de cinco mortes e 57 feridos do acidente, ocorrido em 27 de agosto, Lopes pôs em dúvida a conduta do motorneiro, que morreu. O secretário informou através de sua assessoria que ainda não foi notificado. “Nunca autorizei veiculação de propaganda eleitoral em local de uso público, como determina a lei. Informo ainda que não fui notificado a respeito do caso em questão”, disse.

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