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‘Se houve cartel, chefe foi a Petrobras’, diz defesa da UTC

Ao se defender da proibição de firmar contratos com a estatal, construtora afirma que cabia à petroleira controlar escolha de fornecedores, embora agora tente se fazer de vítima, diz jornal

Por Da Redação - 15 Jan 2015, 07h11

A construtora UTC, cujo dono, Ricardo Pessoa, é apontado como líder do clube do bilhão – grupo formado pelas maiores empreiteiras do país que, segundo o doleiro Alberto Youssef, combinava o resultado de licitações da Petrobras, superfaturava os preços e pagava a propina destinada a subornar políticos e funcionários da estatal – afirma que, se houve cartel, ele foi chefiado pela própria Petrobras. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. A alegação consta na defesa da empreiteira no processo em que foi proibida de firmar novos contratos com a petroleira.

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No documento, a defesa da UTC alega ainda que a Petrobras tenta se passar por vítima e que não houve conluio das contrutoras contra a estatal. Salienta também que cabia à petroleira controlar todo o processo de contratação de fornecedores – organizar as licitações, convidar os concorrentes e estabelecer o preço final. “Se cartel houve seu principal agente seria a Petrobras, sendo o suposto ‘clube’ no máximo um instrumento das ações dela mesma”, afirma a UTC, segundo o jornal. “Se o conjunto de fornecedores merece a alcunha de ‘clube’, deve-se lembrar que seu fundador e mantenedor somente poderia ser o próprio monopsônio [único comprador do mercado, ou seja, a Petrobras]”, alega a defesa da construtora em outro trecho do documento.

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Em sua edição desta semana, VEJA revela manuscrito do empreiteiro Ricardo Pessoa em que ele diz que o esquema de corrupção instalado na Petrobras era na essência político, e não o mero resultado do conluio de alguns empresários e diretores venais da estatal. Ele também diz que o tesoureiro do comitê de reeleição da presidente está “preocupadíssimo”. Nas entrelinhas do texto fica evidente o desconforto dos empreiteiros de estarem sendo, pelo menos até agora, os bodes expiatórios da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. Afinal, como o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa revelou, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro para partidos e campanhas políticas organizado pelo partido no poder, o PT.

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Nesta quarta-feira, o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi preso pela Polícia Federal quando desembarcava no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, vindo de Londres. Ao requerer a prisão preventiva do ex-diretor, os procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato são taxativos. “Não há indicativos de que o esquema criminoso foi estancado. Pelo contrário, há notícias de pagamentos de ‘propinas’ efetuados por empresas para diretores da Petrobras mesmo em 2014.” O Ministério Público Federal não detalha estes pagamentos, mas deixa claro: existem indícios de que o esquema de corrupção na Petrobras continua funcionando.

Segundo os procuradores, Cerveró integra “a mais relevante organização criminosa incrustada no Estado brasileiro que a história já revelou”. O texto destaca que o ex-diretor é beneficiário de “um esquema de corrupção multibilionário na Petrobras”. A Procuradoria afirma que o esquema envolvia a indicação, por partidos políticos, de diretores da estatal, “os quais ficavam responsáveis por desviar dinheiro da estatal em benefício próprio, dos partidos e de agentes políticos”.

“Note-se que uma das empresas, a Camargo Correa, havia sido investigada por fatos similares anos antes, na Operação Castelo de Areia, sem que o esquema por isso tenha se encerrado”, informam os procuradores. “Os agentes envolvidos nessa espécie de crime contam desde já com a impunidade alcançadas em outros casos e, no máximo, postergarão pagamentos, acumulando dívidas e saldos a liquidar com agentes públicos.”

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