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SBM pagou US$ 300.000 em propina para campanha de Dilma em 2010, diz delator

Representante da empresa holandesa no Brasil, Julio Faerman relatou que o pedido de contribuição para o caixa petista partiu do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, ligado ao PT

Por Eduardo Gonçalves 17 dez 2015, 16h59

A empresa holandesa SBM Offshore pagou 300.000 dólares em propina à campanha da então candidata à Presidência Dilma Rousseff em 2010. É o que relata o representante da companhia no Brasil, o lobista Julio Faerman, em delação premiada ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, no dia 20 de maio deste ano. O trecho faz parte da denúncia oferecida pela procuradoria à Justiça contra doze pessoas acusadas de desviar 46 milhões de dólares de contratos firmados entre a companhia holandesa e a Petrobras, de 1997 a 2012.

No depoimento, Faerman afirma que transferiu o dinheiro para uma conta do então gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, que confirmou os repasses. A transação foi feita em contas na Suíça.

O pedido de contribuição à campanha petista teria partido do então diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, que foi indicado ao cargo pelo PT e de quem Barusco era braço-direito. “Nesse pedido de Duque (…) ficou evidente a ligação de Duque com o partido”, diz trecho do depoimento. Numa primeira reunião, entre Duque e Faerman, o lobista da SBM recusou o pedido. Num segundo encontro, Barusco o cobrou da doação, ao que, desta vez, foi atendido pelo representante da empresa holandesa. “Diante do pedido, o depoente transferiu 300.000 da sua conta Bienfaire, na Suíça, para conta de Barusco, na Suíça, para conta que não sabe dizer, porque dava as ordens ao banco sem precisar especificar para qual conta do beneficiário iriam os recursos”, diz outro trecho do relato.

Pedro Barusco, que também depôs ao MPF do Rio, falou sobre o episódio, destacando que a solicitação pelo dinheiro ocorreu quando o tucano José Serra, principal adversário de Dilma nas eleições, subiu nas pesquisas eleitorais de opinião. “Que o depoente esclarece que no ano de 2010, durante a campanha presidencial, quando Serra encostou em Dilma nas pesquisas, foi solicitado por Renato Duque a intermediar o recebimento de uma contribuição de 300.000 dólares para a campanha de Dilma”, disse Barusco, em depoimento prestado no dia 26 de novembro de 2014.

Barusco explica que não precisou trazer o dinheiro da Suíça, porque o montante se transformou no que foi chamado de “créditos de propina” – ou “compensação de propinas”. Diz o depoimento: “Na verdade o depoente não transferiu 300.000 dólares para a conta de ninguém, simplesmente passando ao PT um crédito em propinas a receber. Que não sabe como esse pagamento teria sido feito ao PT, se no país ou no exterior, se em forma de doação oficial de campanha ou não”,

Nova operação – Os doze denunciados pela procuradoria do Rio são alvos da operação Sangue Negro, que assim como a Lava Jato apura um esquema de corrupção na Petrobras. Entre eles, estão o ex-diretor de Internacional da estatal Jorge Luiz Zelada e os executivos da SBM Roberto Zubiate, Didier Keller e Tony Mace, que não são brasileiros, além de Julio Faerman, Pedro Barusco e Renato Duque.

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