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Santos Cruz e Feliciano se abraçam e posam para foto em sinal de trégua

Deputado emudece, em sinal do caráter temporário do cessar fogo, e retorna a Brasília com o general e Bolsonaro na noite desta quinta-feira, 16

Em uma tentativa de cessar o mais recente fogo amigo no governo, o deputado Marco Feliciano (Pode-SP) abraçou-se ao general Carlos Alberto dos Santos Cruz, no saguão do hotel onde o presidente Jair Bolsonaro está hospedado, em Dallas, e juntos posaram sorridentes uma fotografia. O general ainda arriscou uma legenda: “Duas pessoas civilizadas.”

Até o embarque de ambos nesta semana para Dallas, no mesmo avião presidencial, o clima entre o olavista Feliciano e o militar que ocupa o posto de ministro Secretaria de Governo era beligerante, com pesados bombardeios do deputado sobre o general, cuja demissão era apontada como iminente. Mesmo sob clima de trégua, porém, os dois não chegaram a acordo sobre como conversar com VEJA.

Feliciano pediu “off the record” – informação não atribuível à fonte -, e Santos Cruz foi para o lado oposto: “Não, comigo é em on”. Ao som do clique do gravador, o deputado emudeceu, em uma indicação de que a trégua seria temporária. Ambos retornam a Brasília, com Jair Bolsonaro, na noite desta quinta-feira.

Questionado sobre como um general reformado, com a carreira distinta como a dele, se submete a frituras e à linguagem de baixo calão de aliados do presidente, Santos Cruz mostrou-se impassível à sua situação de fervura. “Comigo não tem problema pessoal,” disse. “O Brasil só quer pessoas que trabalham, pessoas que resolvam ou tenham dedicação para tentar resolver os problemas que a gente tem”, desviou-se.

O deputado Feliciano foi um dos governistas que mais bateram em Santos Cruz nos últimos dez dias por causa da decisão do general de revogar portaria que impunha o controle da Secretaria de Comunicação (Secom) sobre as propagandas das estatais e de uma suposta defesa da regulamentação da imprensa.

Na semana passada, o parlamentar disse que o general tem perfil “antidemocrático” e “quis mandar mais do que o presidente”. O próprio Olavo de Carvalho, guru de Feliciano e da família Bolsonaro, foi além. “Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu m.”, afirmou no Twitter.

Jantar com a elite

No saguão do hotel, o séquito de Bolsonaro cultivou um clima ameno com os jornalistas brasileiros que acompanham a viagem presidencial. Minutos antes, depois de cruzar a calçada para cumprimentar cinco brasileiros residentes em Dallas, o presidente concedeu uma entrevista à imprensa que se tornou cada vez mais tensa. Depois de ter subido para seu quarto, o ambiente de estresse se dissipou.

Os colaboradores de Bolsonaro conversaram sobre o clima amistoso e informal do jantar da véspera, oferecido por Nancy Cain Marcus, proeminente na elite republicana local, ao presidente. Ao evento, mantido pelo Palácio do Planalto à distância da imprensa brasileira, compareceu o senador republicano Ted Cruz, do Texas.

No jantar, o presidente Bolsonaro e membros de sua comitiva teriam ouvido desculpas dos anfitriões sobre a hostilidade de Nova York e dito que os brasileiros eram bem-vindos entre conservadores. Dallas é uma cidade de governo e maioria legislativa democratas, e seu prefeito, o democrata Mike Rawlings, deixou claro que não queria se encontrar com o presidente do Brasil.