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Saída de diretor do Dnocs acirra crise entre PT e PMDB

Elias Fernandes, diretor-geral do Dnocs, pediu demisão depois que seu padrinho político, o peemedebista Henrique Eduardo Alves, desafiou a presidente Dilma Rousseff

Por Luciana Marques 26 jan 2012, 13h36

Se a crise envolvendo o governo da petista Dilma Rousseff e o PMDB já estava evidente, as relações ficaram ainda mais tensas, nesta quinta-feira, com o pedido de demissão do diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Elias Fernandes. A queda do dirigente ocorreu no mesmo dia em que veio a público o desafio a Dilma Rousseff feito por seu padrinho político, o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). O parlamentar havia menosprezado a possibilidade de a presidente enfrentar “o maior partido do Brasil” e exonerar seu apadrinhado.

“O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, indagou Alves, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

A declaração do líder peemedebista foi a gota-d´água para a demissão de Fernandes. O próprio Henrique Alves anunciou nesta quinta-feira, em seu Twitter, a saída do afilhado político. “Elias, agradecendo minha irrestrita solidariedade, pede que entenda seu pedido demissão”, postou em sua página no microblog. “E acrescenta que também não quer servir de exploração política ou gerar crise política alguma para o seu partido, PMDB.”

Fernandes, filiado ao PMDB, está no centro da crise envolvendo as duas legendas. Ele é suspeito de direcionamento de verbas. A saída dele passou a ser cogitada depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou desvios de 192 milhões de reais no Dnocs – vinculado ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, do PSB – e também indícios de sobrepreço e superfaturamento no órgão. Ele nega as acusações.

Como antecipou a coluna Radar, depois de intensa troca de telefonemas nesta manhã entre Alves, o vice-presidente Michel Temer, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Integração, Fernando Bezerra, ficou acertada a saída de Elias. Como prêmio de consolação, Alves poderá indicar outro afilhado para o cargo.

Crise – O ministro Fernando Bezerra já tinha solicitado a demissão do diretor-geral do Dnocs, órgão vinculado a sua pasta, no fim do ano passado. Mas somente agora teve autorização para oficializar a demissão do peemedebista. Segundo Henrique Eduardo Alves, Elias teve uma conversa “amistosa” e “franca” com o ministro nesta manhã. Nos bastidores, no entanto, a relação entre o PSB, partido de Bezerra, e o PMDB, também ficaram estremecidas diante da crise no Dnocs.

Ao longo da semana, Temer trocou telefonemas com Alves e integrantes do governo para tentar encontrar uma solução para o caso, que estava indefinido até a noite de ontem. A presidente Dilma Rousseff não procurou seu vice diretamente, mas mandou a ministra Gleisi representá-la. Temer, que costuma atuar nos bastidores, buscou uma decisão negociada. Mas a entrevista de seu aliado causou constrangimento ao Planalto e o vice ficou sem saída.

Apesar do impasse no Dnocs estar aparentemente resolvido, os problemas entre governo e PMDB não chegaram ao fim. O partido reivindica a indicação de cargos na Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e na Transpetro (empresa de transporte e armazenamento de combustível da Petrobras).

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