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Rosa Weber deixa placar em 2 a 1 contra Dirceu e Genoino

Ministra também considerou culpados José Genoino e Delúbio Soares, acusados de participar do esquema criminoso de compra de apoio político

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges 4 out 2012, 18h56

A ministra Rosa Weber deu o segundo voto pela condenação de José Dirceu e José Genoino, no julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, ela acompanhou integralmente o voto do relator e também deixou o placar em 3 a 0 pela condenação de Delúbio Soares, ex-presidente do PT.

Primeira a votar após Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski (que poupou Dirceu e Genoíno), Rosa Weber disse haver evidências claras do esquema de corrupção montado pelo PT para comprar o apoio político de quatro partidos durante o primeiro governo Lula. O voto de Rosa Weber foi incisivo sobre o papel de Dirceu. Além de citar os depoimentos apontando a participação do mandatário petista no esquema, ela lembrou outras provas contra ele.

“As reuniões com dirigentes do Banco Rural, os vários indícios da ligação próxima de José Dirceu com Marcos Valério ilustrada pelos favores prestados à ex-esposa do acusado e a viagem de Marcos Valério, Rogério Tolentino e Emerson Palmieri para a obtenção de recursos ilegais da Portugal Telecom para o PT e o PTB apenas conformam a minha convicção e fecham o quebra-cabeças”, afirmou a ministra.

Veja o placar do julgamento, crime por crime, réu por réu

Rosa Weber argumentou que, para crer que Delúbio Soares tivesse montado todo o esquema sozinho, como fez Ricardo Lewandowski, seria preciso atribuir a ele uma “mente privilegiada”: “Não é possivel acreitar que Delúbio sozinho teira comprometido o PT com dívidas da ordem de 55 milhões de reais e repassado metade disso a partidos da base aliada”. Rosa Weber pediu a condenação de Dirceu por nove atos de corrupção ativa: uma para cada deputado comprovadamente comprado pelo esquema.

Quando tratou de Genoino, Rosa Weber lembrou a participação decisiva do então presidente do PT na formação de alianças partidárias e no repasse dos recursos do esquema. “Ficou evidente que o PT costumava alcançar dinheiro a outros partidos, entregando-os a parlamentares ou membros da organização partidária. Por que fazia isso? Logicamente, para obter apoio no parlamento”. Genoino foi considerado por Rosa culpado de corrupção ativa e responsabilizado por seis atos criminosos.

Outros réus – Rosa Weber condenou ainda Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos e Rogério Tolentino, todos ligados ao chamado núcleo publicitário do esquema. E votou pela absolvição de Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes, e Geiza Dias, funcionária de Valério.

Com exceção dos casos de Dirceu e Genoino, que tem 2 votos a 1 pela condenação, os três ministros que votaram até aqui concordaram com o julgamento dos outros réus deste capítulo da denúncia, que trata da compra de apoio político.

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