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Rodrigo Maia nega engavetamento de impeachment de Temer

Presidente da Câmara afirma que ainda não tomou uma posição e que a decisão não será tomada 'da noite para o dia', como se ele estivesse em um drive-thru

Por Marcela Mattos Atualizado em 24 Maio 2017, 22h27 - Publicado em 24 Maio 2017, 13h08

Responsável por dar seguimento aos pedidos de impeachment contra Michel Temer (PMDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negou nesta quarta-feira que tenha decidido engavetar as ações que foram apresentadas logo após eclodirem as denúncias contra o peemedebista, que foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS e delator na Operação Lava Jato, em conversas um tanto controversas.

“Eu não posso avaliar uma questão tão grave como essa num drive-thru”, disse. “Não é assim, não é desse jeito. Quanto tempo não se discutiu aqui a crise do governo Dilma? Então, nós temos de ter paciência”, afirmou. Maia nega que tenha decidido não dar prosseguimento a nenhuma ação: “Eu não tomei decisão. E não é uma decisão que se tome da noite para o dia”, continuou.

O deputado decidiu se manifestar após sua declaração na segunda-feira de que não seria “instrumento para a desestabilização do Brasil” ter sido vista como um indicativo de que não daria continuidade aos processos contra Temer. Nos bastidores, porém, ele próprio manifestou a aliados a intenção de não mexer nesse tema agora. Cabe ao presidente da Câmara avaliar a admissibilidade das ações e determinar a instalação de uma comissão especial que julgaria a conduta do presidente da República.

“Eu não posso avaliar uma questão tão grave como essa num drive-thru. Não é assim, não é desse jeito. Quanto tempo não se discutiu aqui a crise do governo Dilma? Então, nós temos de ter paciência

Rdorigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara

Maia disse ainda que seu comportamento tem sido de “paciência” e “calma” para tentar construir uma agenda de superação da crise econômica. “Eu estou olhando para 2018 com o Brasil podendo crescer de 3% a 4 %. Acho que, com esse olhar, eu preciso ter uma agenda que garanta essa possibilidade ano que vem”, indicando que outros temas serão prioritários na pauta da Câmara dos Deputados.

 

  • Os pedidos de impeachment contra Temer começaram a chegar logo depois de o conteúdo das conversas que manteve com Joesley ter sido divulgado. Já há doze solicitações desse tipo na Câmara, algumas assinadas por parlamentares e partidos de esquerda, como PT, PSOL e Rede. Nesta quinta-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai protocolar mais um pedido alegando que o peemedebista cometeu crime de responsabilidade.

    Em um encontro mantido fora da agenda com Joesley no Palácio da Alvorada, no dia 7 de março, o presidente, segundo a acusação do empresário e do Ministério Público Federal, dá aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato, e indica o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), seu ex-assessor especial, para supostamente negociar o pagamento de propinas. O presidente também é acusado de não ter tomado providências diante das declarações do dono da JBS de que estaria comprando dois juízes e um procurador.

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