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Rocha Loures vira réu por mala de R$ 500 mil da JBS

Ex-assessor de Michel Temer é acusado de negociar propinas milionárias com o grupo J&F em troca de interferência junto ao Cade

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 12 dez 2017, 16h06 - Publicado em 11 dez 2017, 16h08

O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) virou réu nesta segunda-feira pela acusação de corrupção passiva ao aceitar propinas do grupo J&F para interferir em decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Rocha Loures é ex-assessor especial do presidente Michel Temer (PMDB) e ficou conhecido após ser flagrado em ação controlada da Polícia Federal saindo de um restaurante com uma mala com 500.000 reais, recebidos de um executivo do grupo.

A denúncia, aceita pelo juiz federal Jaime Travassos Sarinho, da 10ª Vara Federal de Brasília, incluía originalmente Temer. A Câmara dos Deputados, no entanto, recusou em agosto para que o presidente fosse processado, o que fez com que o processo fosse desmembrado e a citação a Loures, que não tem foro privilegiado, fosse enviada para a primeira instância.

  • Segundo a acusação, com base na delação premiada do empresário Joesley Batista, Loures, sob as ordens do presidente, interferiu em decisões do Cade para beneficiar a empresa de gás do grupo J&F, que enfrentava um processo contra a Petrobras no Conselho. Em áudio de conversa entre Joesley e Temer, o presidente teria indicado o ex-deputado para ser seu interlocutor com o empresário, o que justificou a interpretação pela PGR de que ele faria, sim, parte do esquema.

    Em troca dos benefícios obtidos com a eventual decisão do Cade, a J&F pagaria a Michel Temer e Rocha Loures esse valor de 500.000 reais como uma espécie de propina semanal. Ambos negam as acusações.

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