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Roberto Romano: “Ética brasileira é fundada na violência, no favor e no poder”

Para professor, morte do filho de Cissa Guimarães expõe falta de limites. E conduta de Felipe Massa pode pôr em risco a credibilidade da F-1

“A essência do jogo é a obediência à regra. Aquele que é trapaceiro suspende o jogo imediatamente. O esporte passa a ter menor credibilidade popular. Veja a quantidade de pessoas que dizem que não vão mais acompanhar as corridas porque acreditam que se trata de marmelada. Isso prejudica a totalidade do esporte”

A discussão sobre a ética nas relações pessoais e profissionais entrou em pauta por causa de três episódios recentes: a morte do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, atropelado no Rio; a conduta do piloto de Fórmula-1 Felipe Massa, orientado a ceder a vitória para Fernando Alonso; e a não-contratação do técnico do Fluminense, Muricy Ramalho, para treinar a seleção brasileira.

Em entrevista a VEJA.com, o professor de Filosofia Política e Ética da Unicamp, Roberto Romano, diz que a morte do jovem é um exemplo da “péssima ética” que impera na sociedade brasileira. E mostra a falta de limites de autoridades – há suspeitas de pagamento de propina para policiais – e das pessoas envolvidas. “A ética é um comportamento coletivo. A moral é ligada ao comportamento do indivíduo”, afirma. Credibilidade – O esporte entrou em pauta na segunda parte da entrevista. Na avaliação do especialista, a atitude de Massa pode pôr em risco a credibilidade da F-1. “A essência do jogo é a obediência à regra. Aquele que é trapaceiro suspende o jogo imediatamente. O esporte passa a ter menor credibilidade popular. Veja a quantidade de pessoas que dizem que não vão mais acompanhar as corridas porque acreditam que se trata de marmelada. Isso prejudica a totalidade do esporte”, afirma. Por fim, Romano diz que Muricy não estaria agindo de forma anti-ética se aceitasse o convite para treinar a seleção brasileira. Desde que a negociação fosse límpida.