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Republicanos frustra Flávio e decide ficar neutro na eleição presidencial

Partido de Tarcísio de Freitas e de outros aliados da família Bolsonaro opta pela independência e amplia o isolamento do candidato do PL na busca por coalizão

Por Laila Nery 4 ago 2026, 10h15 | Atualizado em 4 ago 2026, 11h31
Republicanos frustra Flávio e decide ficar neutro na eleição presidencial Priorizar nos meus resultados Google

O Republicanos decidiu permanecer neutro na disputa presidencial de 2026 e não declarará apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. A decisão foi anunciada pela executiva nacional do partido nesta terça-feira, 4, em Brasília, após consulta aos diretórios estaduais.

A posição representa mais um revés para a estratégia do PL de ampliar sua coalizão na corrida presidencial. Embora o Republicanos reúna importantes aliados da família Bolsonaro — entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos principais nomes do campo conservador —, a legenda optou por preservar a autonomia de seus diretórios e evitar um alinhamento nacional após tentativas do filho do presidente de aproximação com a sigla.

A decisão foi precedida por uma última tentativa de convencimento do PL. Ontem, Flávio Bolsonaro e seus principais aliados ainda tentavam reverter a resistência do Republicanos. Na segunda-feira, 3, o senador se reuniu, em Brasília, com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, acompanhado pelo coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

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No encontro, Pereira comunicou que a maioria dos diretórios estaduais havia optado pela neutralidade: foram 17 votos pela independência, contra nove favoráveis ao apoio a Flávio Bolsonaro e um em defesa da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em nota, o partido afirmou que a decisão foi tomada por “deliberação majoritária” das executivas estaduais e reflete o crescimento da legenda nos últimos anos, o que teria tornado inviável uma posição única para todo o país.

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“A decisão reflete o respeito à construção democrática interna do partido e reconhece a realidade de um Republicanos que cresceu, consolidou sua presença nacional e passou a representar diferentes regiões, contextos e alianças políticas”, diz o comunicado.

Segundo a direção nacional, a neutralidade não significa ausência de posicionamento político, mas uma forma de preservar a unidade da legenda diante das diferentes composições estaduais.

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“A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político. Ao contrário, demonstra maturidade institucional, respeito ao pacto federativo e compromisso com a unidade partidária”, afirma o texto.

A executiva também ressaltou que a prioridade da legenda será ampliar sua representação no Congresso Nacional. De acordo com o partido, fortalecer as bancadas na Câmara e no Senado permitirá ampliar sua influência nas decisões políticas e contribuir para a governabilidade.

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Vices

A decisão do Republicanos inviabiliza a primeira opção de Flávio Bolsonaro para vice, que era a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro e responsável pela articulação do programa econômico de Flávio — ela era filiada ao Republicanos desde abril.

A decisão do Republicanos ocorre poucos dias depois de o Progressistas também optar pela neutralidade na eleição presidencial e desistir de realizar convenção nacional para discutir eventual apoio a Flávio Bolsonaro. Na prática, a medida enterrou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) integrar a chapa presidencial como candidata a vice.

A pouco mais de dez dias para o registro da chapa, que tem que ser feito até o dia 15 de agosto, Flávio continua sem ter um nome para vice-presidente — se não houver aliança com nenhum outro partido, o senador terá que buscar um nome dentro do próprio PL, a única legenda que sustenta a sua candidatura até agora.

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