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Renan nega acordo com senadores para barrar eventual prisão

Alvo de um pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) negou nesta quinta-feira que esteja sendo construído um acordo entre os senadores para que o plenário da Casa barre a possibilidade de ele e outros congressistas ficarem atrás das grades. “Não existe [acordo] e não existirá porque o Senado praticará sempre a separação dos poderes. Não sabemos nem o conteúdo das delações. Imagina fazer acordo. Quem está dizendo isso quer mais uma vez deturpar e embaçar as coisas”, afirmou Renan nesta quinta.

Nos bastidores, a senha para tentar se descolar das acusações de que um acordão está em curso é alegar que o Legislativo é um poder independente e não tem de estar sujeito ao Judiciário no caso de determinações de prisão de parlamentares. Desde 2002, o STF não precisa mais de autorização prévia para processar parlamentares, mas a Constituição estabelece que os autos que determinam a prisão de um congressista deverão ser analisados pelo plenário do Senado no prazo de 24 horas.

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Embora seja alvo de diversos inquéritos relacionados à Operação Lava Jato, o presidente do Senado tentou se descolar do noticiário político-policial. Ele se recusou a comentar as novas suspeitas, reveladas pela Folha de S. Paulo, de que ele e a cúpula do PMDB combinavam versões de defesa e estratégias contra a Operação Lava Jato. “Não quero absolutamente tratar dessa questão. Vamos aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal e eu, mais do que qualquer um, tenho interesse nos esclarecimentos dos fatos”, afirmou, declarando que prestou depoimento e entregou sigilos aos investigadores.