Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Renan busca aval de Temer para ações contra o Judiciário

Senador realizou um almoço no último sábado para tratar do assunto com o presidente

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), buscou respaldo político do Palácio do Planalto, da Câmara dos Deputados e do Tribunal de Contas da União (TCU) para as ações que tem levado adiante no Congresso Nacional contra o Poder Judiciário e o Ministério Público. As recentes movimentações de Renan foram o principal assunto de um encontro com o presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do órgão de fiscalização de contas, Aroldo Cedraz.

Em almoço realizado no sábado, na residência oficial do Senado, no qual foram servidos feijoada e caipirinha, participaram também o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, o ex-presidente José Sarney e outros dois ministros do TCU, Bruno Dantas e Vital do Rêgo Filho. Procuradas, as assessorias de Temer, Renan, Maia e dos demais convidados não retornaram.

Leia também:
Planalto faz balanço dos seis meses de Temer no poder
Enterrando a Lava Jato: o Congresso contra-ataca

Renan, que deixa a presidência do Senado em fevereiro, tratou do pente-fino que pretende fazer em “supersalários” de servidores do Judiciário e do MP e afirmou que deve anunciar nesta semana um novo relator para o projeto da Lei de Abuso de Autoridade, que, na prática, limita a atuação de investigadores. A proposta tem sido alvo de críticas da Lava Jato, que apura envolvimento de políticos do PT, PMDB e PP, entre outros partidos, no esquema de corrupção na Petrobras.

Renan afirmou aos presentes que a comissão criada na quinta-feira para investigar os contracheques de quem ganha acima do teto do funcionalismo vai “incomodar muito”. Ele citou como exemplo a ser investigado o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), onde haveria significativo número de funcionários com altos rendimentos.

O presidente do Senado também apontou como contrassenso o fato de, atualmente, os magistrados receberem como pena máxima diante de infrações a aposentadoria compulsória. Ele lembrou da decisão de terça-feira tomada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza Olga Regina de Souza Santiago, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Ela é acusada de envolvimento com narcotraficantes e recebeu a aposentadoria. Em sua defesa, Olga tentou justificar o recebimento dos pagamentos alegando que um traficante teria se interessado pela sua casa de veraneio.

Presente nas conversas, Temer ouviu os interlocutores, mas não fez nenhum comentário a respeito. Apesar do silêncio do presidente, nas avaliações colocadas no encontro e em conversas entre integrantes da cúpula do Congresso, o entendimento é de que o avanço das investigações por parte da comissão servirá para mostrar as “mazelas” do Judiciário, em um momento em que vários setores da sociedade e os parlamentares discutem como implementar o teto dos gastos públicos.

Alguns dos presentes chegaram até a desafiar quem vai à comissão defender o pagamento de “supersalários”, estimados em até 200.000 reais. Em meio às argumentações de Renan, o presidente do TCU se colocou à disposição para ajudar no levantamento e cruzamento de dados dos supersalários. O filho de Aroldo, o advogado Tiago Cedraz, é citado em depoimentos do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia e um dos delatores da Lava Jato. Tiago alega que nunca patrocinou nenhum caso do grupo UTC perante o TCU.

Renan comunicou aos presentes sobre o convite que fará ao juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, para discutir o projeto que altera a Lei de Abuso de Autoridade. A proposta passou a ser defendida mais intensamente por Renan após ser deflagrada a Operação Métis, em que policiais federais fizeram busca e apreensão nas dependências do Senado, com autorização de um juiz federal. Integrantes da cúpula do Congresso consideram que Moro não vai se posicionar a favor de abusos cometidos por autoridades nem fazer da comissão um “palanque”.

Segundo presentes à reunião, apesar das críticas, Renan estava descontraído e chegou até a brincar com a escolha da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para a relatoria da comissão. Segundo ele, não escolheu o futuro líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), em razão de “a cota de coragem” do senador já ter se esgotado. Os dois peemedebistas constam hoje do rol de congressistas que são investigados na Operação Lava Jato e negam qualquer irregularidade em suas condutas.

As conversas também trataram da sucessão na Câmara dos Deputados, prevista para fevereiro. Na frente de Maia, Renan ressaltou que vê legitimidade na tentativa do deputado em pleitear a reeleição.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Reinon Macedo

    Temer vai cair !! O cara está todo enrolado … PMDB não aprendeu o PT já foi, quer pagar pra ver

    Curtir

  2. glauco arias

    TEMER TEM NAS MÃOS A ÚLTIMA CHANCE DE EVITAR A VOLTA DOS MILITARES.
    Caso não defenda a Nação e se alie a Renan nesta conspiração antidemocrática, só nos restará apelar para as forças armadas para acabar com a ORCRIM.
    Melhor uma ditadura explícita do que esta “democracia” que aí está. Nossas eleições são uma fraude, uma farsa para enganar os trouxas.
    VIVEMOS UMA DITADURA, BASEADA NOS PILARES DA IMPUNIDADE E DA CORRUPÇÃO
    Basta de enganação

    Curtir

  3. jonas prates

    PARABENS ALAGOAS!!! collor / renan ; PARABENS MARANHAO!! os sarney ; estados de bosta que nao produzem nada, mas colocam uns coroneis no congresso que dominam a politica! q adoecam e morram estes bostas e seus pares!

    Curtir

  4. Gabriel Nonnemaker Dias

    O empenho de parlamentares sob questões judicias é extremamente suspeitas, vinda de réus e distanciadas do debate popular.

    Curtir

  5. J Caride Caride

    Prendam este “coroné”, tal de Renan Calheiros,ponham em seu lugar um homem Honesto e um judiciário a altura do pais que o governo será capaz de andar melhor.
    Gente sem Moro é que o país não pode ficar !

    Curtir

  6. Só fato de Sarney participar, sem ter nenhum mandato , já mostra que essa reunião cheira podre.

    Curtir

  7. Jurandir marques

    Tanto tempo dando as cartas e só agora o sr. Renan quer se transformar no paladino da honra, ética, moral e da honestidade? Para com isso, ” cabra safado.” Agora que as investigações chegaram aos calcanhares dessa quadrilha que acabaram com o Brasil, simplesmente mudam as regras para se livrarem? Srs. políticos, vocês não têm que consultarem: Temer, Maia e tantos outros, vocês têm que consultarem é o povo brasileiro, que com certeza não aceitarão manobras espúrias para livrarem os políticos corruptos da justiça .

    Curtir

  8. Alberto Figueiredo

    O MALANDRO RENAN TEME AS INVESTIGAÇÕES DO LAVA JATO, O AVANÇO DESTE, FALTAMENTE CHEGARÁ NOS SEUS INÚMEROS PODRES!!! É UMA VERGONHA ESSE CIDADÃO SER PRESIDENTE DO SENADO!!! MAS UM DIA CHEGARÁ A VEZ DELE, ASSIM O BRASIL ESPERA.

    Curtir

  9. O País caindo aos pedaços e nossas digníssimas autoridades brigando entre eles, querendo mostrar quem tem o pau maior e mais duro.
    Bando de gente escrota.

    Curtir