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Relatório do Senado cita demora no atendimento a ‘mártir’ do bolsonarismo

Empresário acusado pelos ataques de 8 de janeiro não teria sido atendido de forma emergencial, segundo depoimento de preso

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jul 2026, 11h47 | Atualizado em 4 jul 2026, 15h30
Relatório do Senado cita demora no atendimento a ‘mártir’ do bolsonarismo Priorizar nos meus resultados Google

O empresário Clériston Pereira da Cunha, conhecido como ‘Clezão’, tornou-se um símbolo da campanha de aliados de Jair Bolsonaro contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após morrer de infarto, em novembro de 2023, na penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele tinha sido preso em 8 de Janeiro de 2023, acusado de participar da invasão e depredação das sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF.

Esse caso, que mobilizou a direita nas redes sociais, pode voltar à ribalta em razão de um relatório produzido pela Comissão de Direitos Humanos do Senado a partir de visitas à Papuda e de entrevistas com presos. O texto traz o depoimento de um detento que alega que o atendimento a Clezão demorou muito, o que pode ter contribuído para que ele não resistisse. O empresário enfrentava problemas de saúde. Com base nisso, sua defesa apresentou um pedido de liberdade provisória. 

Em setembro de 2023, dois meses antes da morte de Clezão, a Procuradoria-Geral da República se posicionou favoravelmente à solicitação. O ministro  Alexandre de Moraes, no entanto, não se pronunciou sobre o pedido, conforme a defesa do empresário.

Condenado a 14 anos de prisão em função dos atos golpistas, Manoel Messias Pereira Machado contou à comissão que Clezão acordou em estado de ânimo ‘positivo’, mencionando trechos da Bíblia, e dirigindo-se ao pátio para atividade recreativa. Poucos minutos depois, começou a passar mal. “O custodiado apresentou mal súbito, passando a apresentar sinais físicos de comprometimento de saúde, ocasião em que teria sido solicitado atendimento médico”, diz o relatório da comissão ao interpretar o depoimento colhido. “Segundo sua percepção, o socorro demorou a ser prestado, sobrevindo posteriormente o falecimento do interno”.

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O colegiado enviou o relatório sobre as visitas à Papuda a diversos órgãos no país e no exterior, incluindo o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça, o Ministério Público e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para conhecimento das informações levantadas durante a diligência e eventuais providências.

Em maio de 2025, VEJA mostrou que familiares de Clezão queriam ter acesso às investigações sigilosas sobre a morte dele. A viúva do empresário, Edjane Duarte da Cunha, disse que ele era portador de uma vasculite na aorta, uma cardiopatia grave, além de ser diabético e hipertenso. Ela também afirmou que o marido reclamava de não receber os medicamentos no horário adequado e de ser colocado em isolamento quando não se sentia bem.

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