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Raquel Lyra aciona polícias contra cartazes difamatórios nas ruas do Recife

Governadora de Pernambuco foi alvo de materiais que a acusam de ter matado o marido em 2022 -- ele morreu de infarto; políticos rivais prestam solidariedade

Por Pedro Jordão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 ago 2026, 14h36 | Atualizado em 31 ago 2026, 15h49
Raquel Lyra aciona polícias contra cartazes difamatórios nas ruas do Recife Priorizar nos meus resultados Google

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), registrou boletins de ocorrência junto às polícias Federal e Civil após ter sido difamada em cartazes espalhados pela cidade do Recife, capital do estado, neste final de semana. Ela também deve acionar o Ministério Público Eleitoral (MPE).

As peças, que ainda não tiveram a autoria identificada, fazem graves acusações contra ela, relacionando-a à morte de seu marido, o empresário Fernando Lucena, em 2022 — ele teve um infarto fulminante pouco antes da eleição. “Ela matou o marido para vencer a eleição”, diz uma delas. Em outro cartaz, sob a frase “matadoras de maridos”, a governadora é associada à ex-deputada federal e cantora evangélica Flordelis e à empreendedora Elize Matsunaga, que assassinaram seus companheiros em 2019 e 2012, respectivamente.

Um terceiro cartaz mostra ainda Lyra ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirma que eles estão juntos nas eleições deste ano para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que também não é verdade, visto que ela se mantém neutra em relação à disputa presidencial e faz frequentes elogios ao petista.

“Pude ver de perto a crueldade de quem não tem limites. Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite a minha dor”, disse Raquel em primeiro pronunciamento sobre a situação, em um vídeo publicado nas redes sociais. Ela apareceu chorando ao comentar o caso.

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A governadora enfrenta apenas dois adversários no processo eleitoral, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e o ex-vereador da capital Ivan Moraes (PSOL). Em um dos primeiros pronunciamentos, Moraes se solidarizou a ela e pediu que tudo fosse investigado.

“A pessoa ou quadrilha responsável pelos cartazes ofensivos contra a governadora precisa ser identificada e responsabilizada urgentemente. Não se pode compactuar com um absurdo desses. A investigação tem que ser profunda e exemplar. Minha solidariedade a Raquel Lyra”, escreveu.

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Já João Campos, que antes liderava as pesquisas e agora aparece em segundo lugar, tendo se invertido com a posição da governadora, publicou um vídeo no qual classificou os panfletos como absurdos e disse que não vai tolerar que a autoria seja atribuída a ele ou à sua campanha.

“Já estamos entrando na Justiça para que a origem desses panfletos seja investigada com todo o rigor. Quero que a Justiça Eleitoral descubra quem produziu, quem financiou e quem distribuiu esse material, e que os responsáveis sejam punidos na forma mais severa da lei. A democracia comporta divergência, crítica e confronto de ideias. O que ela não pode admitir é covardia, anonimato e ataques contra famílias.

Há semanas, Campos afirma que ele e sua família têm sido vitimados por um “gabinete do ódio” da campanha de Raquel Lyra. “Não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, completou.

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Solidariedade e indignação

A tentativa de difamação de Raquel Lyra rapidamente ultrapassou os limites territoriais de Pernambuco, com políticos de diversas posições e variados estados se solidarizando publicamente.

O ex-governador de Goiás e presidenciável, Ronaldo Caiado, que é filiado ao partido de Raquel Lyra, mas não conta com seu apoio à Presidência, foi um dos que se pronunciou. “Divergência política é natural e faz parte da democracia, mas o que estamos vendo em Pernambuco é de uma truculência sem limites. A política não pode se transformar em um faroeste sem escrúpulos, onde a dor da perda seja palanque para alguém. Essa é uma linha que jamais pode ser cruzada. Toda a solidariedade à minha amiga, governadora Raquel Lyra, neste momento”, escreveu.

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O ex-governador de Minas Gerais e presidenciável, Romeu Zema (Novo), também seguiu pelo mesmo caminho. “É impossível não se solidarizar com a Raquel Lyra. É preciso ter o mínimo de valores, princípios e fibra moral para representar a população. Esse tipo de ataque não cabe. E não dá para se calar diante disso”, disse. Zema também não subirá no palanque da governadora em Pernambuco, mas o vereador Eduardo Moura, filiado ao partido Novo, é um dos principais expoentes da legenda no estado e declarou apoio à reeleição da mandatária.

Os presidenciáveis Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) não se pronunciaram.

O senador Humberto Costa (PT-PE), que tenta a reeleição na mesma chapa de João Campos, lamentou o que chamou de “desprezíveis práticas”. “É extremamente lamentável que a campanha eleitoral em Pernambuco esteja tomada por uma escalada de agressões. Um dia, denúncias de um gabinete do ódio operando contra o candidato João Campos. No outro, um ataque vil e desumano à candidata Raquel Lyra. É preciso dar um basta a isso (… ). Espero que os responsáveis por essas desprezíveis práticas sejam identificados e punidos”, disse.

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Já a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT-PE), que concorre ao Senado ao lado de Humberto e, quando disputou a prefeitura do Recife em 2020, já foi vítima de fake news em cartazes semelhantes, publicou uma longa nota. “Gabinetes do ódio, cartazes apócrifos, ataques, mentiras e fake news não podem ser tratados como parte normal de uma disputa política. Tudo precisa ser rigorosamente apurado, com identificação dos responsáveis e, comprovadas as ilegalidades, aplicação das punições previstas em lei”, disse em um trecho.

O ex-deputado federal Roberto Freire também se somou às declarações: “Raquel, minha plena e total solidariedade. “.

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