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Quem é o vereador bolsonarista que está entre os líderes do motim de PMs

Sargento Ailton estava no quartel em Sobral e bateu boca com Cid Gomes (PDT-CE) antes de o senador ser baleado na quarta-feira 19

Por André Siqueira - 21 fev 2020, 10h15

O vereador Sargento Ailton (Solidariedade), de Sobral, é uma das lideranças do motim de policiais militares cearenses que ocupou o quartel da corporação onde o senador Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na quarta-feira 19. Um dos poucos a aparecer sem a balaclava entre os manifestantes, Ailton Marcos Fontenele é ligado a movimentos de direita e, em suas redes sociais, divulga fotos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Sargento Ailton estava no quartel na quarta-feira e bateu boca com o senador Cid Gomes antes de o pedetista ser baleado – ele afirma que o parlamentar puxou a sua camisa. O tumulto entre os policiais amotinados e apoiadores do ex-governador do Ceará foi registrado por Ailton em uma transmissão ao vivo em seu perfil no Facebook. No momento em que o irmão de Ciro Gomes é atingido, o vereador está próximo ao portão e pede calma aos demais policiais.

Em um outro vídeo, gravado dentro do quartel, Ailton negou que tenha instigado o motim ou convidado outros policiais a participar do ato. Ele relata, também, que foi ameaçado. “Quando me viram, muitos me ameaçaram de morte. Atribuindo culpas que eu não tenho. Vim como qualquer outro servidor, não instiguei ninguém. Quem está aqui, está porque quer”, afirma.

Vereador eleito nas eleições de 2016, Sargento Ailton concorreu como deputado estadual no pleito de 2018, mas obteve apenas 7.387 (0,16% dos válidos) e não foi eleito. Durante o primeiro ano do governo Bolsonaro, ele participou de manifestações em apoio ao presidente da República ao lado do deputado federal Heitor Freire (PSL-CE), presidente estadual do PSL no Ceará.

Ocorrências

Entre as 6h de quarta-feira 19 e as 6h da quinta-feira 20, o Ceará registrou o período mais violento do ano, com 29 assassinatos. De 1º de janeiro a 18 de fevereiro, o estado registrou, em média, seis homicídios por dia, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Antes do motim, a data mais violenta do ano havia sido registrada no dia 18 de janeiro, quando foram registradas dezessete ocorrências de crimes violentos letais.

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