Quem é Júnior da Lucinha, candidato a deputado alvo de impugnação eleitoral
MPE-RJ aponta que ele seria substituto político da mãe e cita concentração de votos em áreas de atuação de milícia
O Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro (MPE-RJ) entrou, na segunda-feira, 10, com uma ação para pedir a impugnação da candidatura de Júnior da Lucinha (PSD), vereador do Rio e candidato a deputado estadual nas eleições de 2026. O pedido será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) e sustenta que o político seria um “mero substituto político ocasional” de sua mãe, a deputada estadual Lucinha, ré no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) por suspeita de constituição de milícia privada.
Em nota, Júnior afirmou que a “responsabilidade penal e eleitoral é estritamente individual” e que qualquer tentativa de vinculá-lo a processos ou investigações envolvendo terceiros seria uma “ilação sem amparo legal”. O candidato também declarou que sua candidatura está regular e é juridicamente viável.
Segundo a Procuradoria, Lucinha estaria impedida de disputar as eleições de 2026 por uma restrição partidária, e Júnior teria sido escolhido para preservar o “espólio político-territorial da família Barros”. A ação afirma ainda que a deputada teria usado sua atuação como agente pública para defender interesses do Bonde do Zinho, também conhecido como Tropa do Z.
Considerado uma das maiores milícias do Rio, o grupo atua principalmente na Zona Oeste da capital. Em 2023, foi alvo da Operação Dinastia II, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público do Rio (MPRJ). Naquele ano, o órgão classificou o Bonde do Zinho como “a maior organização criminosa do tipo milícia em funcionamento no Estado do Rio de Janeiro e, possivelmente, no país”.
Em uma ação apresentada em 2024, o MPRJ apontou Lucinha como integrante do núcleo político da milícia. Investigações da Polícia Federal identificaram contatos entre a deputada e Domício Barbosa, conhecido como Dom e apontado como operador financeiro do grupo. Segundo a apuração, Lucinha teria atuado politicamente para preservar regras relacionadas ao transporte alternativo e, assim, “tutelar os interesses econômicos da organização criminosa”.
Lucinha foi afastada do mandato em 2023 por decisão cautelar do Órgão Especial do TJRJ. A medida durou dois meses e foi suspensa posteriormente pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), por 52 votos a 12. Ao reassumir o cargo, a deputada negou as acusações e afirmou que nunca teve envolvimento com organizações criminosas ou atuou como braço político de milicianos. Ela permanece no cargo, com mandato previsto até 2027.
A ação do MPE-RJ também aponta semelhanças na distribuição dos votos de mãe e filho. De acordo com a Procuradoria, cerca de 90% dos votos de cada um foram concentrados nas mesmas zonas eleitorais de Santa Cruz e Campo Grande, regiões que incluem comunidades apontadas como áreas de atuação do Bonde do Zinho. O levantamento comparou os resultados das eleições de 2022 e de 2024, quando Júnior foi reeleito vereador, e identificou 36 locais de votação classificados no documento como de concentração “extremamente atípica”.
A Procuradoria também citou publicações nas redes sociais em que Júnior e Lucinha aparecem ao lado de Leonardo de Oliveira Silva, irmão de um miliciano condenado. A ação menciona ainda relatos de cobrança extorsiva e de coação eleitoral contra moradores de comunidades sob influência do grupo criminoso.
Júnior ainda não apresentou defesa, já que não foi formalmente citado para se manifestar no processo. Caberá ao TRE-RJ decidir se aceita ou rejeita o pedido de impugnação. Em caso de decisão desfavorável à candidatura, o político poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).







