Quem é Douglas Ruas, eleito presidente da Alerj em mais uma polêmica votação
Filho do prefeito de São Gonçalo e no seu primeiro mandato, ele foi escolhido pelo PL para enfrentar Eduardo Paes
Inspetor da Polícia Civil, Douglas Ruas (PL) foi eleito nesta sexta-feira, 17, presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em mais uma polêmica votação. Pré-candidato a governador, ele recebeu 44 votos para o cargo – eram necessários 36 -, numa eleição que contou com o boicote dos partidos que fazem oposição à antiga base do governador Cláudio Castro (PL). Aos 37 anos, Ruas está no seu primeiro mandato como deputado estadual e é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL). O município da Região Metropolitana é o terceiro maior colégio eleitoral do estado, com 650 mil eleitores, atrás apenas da capital e de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A cidade também é reduto do “todo poderoso” do partido no Rio, Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara dos Deputados e presidente estadual da sigla. Em meio a disputas internas no partido e com a falta de um sucessor natural para Castro no campo político, Ruas se tornou o favorito de Côrtes para enfrentar Eduardo Paes (PSD) nas urnas em outubro. O policial, segundo mais votado para a Alerj em 2022 (com 175.977 votos), conseguiu ampliar sua atuação no estado durante o período em que foi secretário estadual das Cidades, se colocando à frente de obras do governo como de pavimentação e drenagem, construção e recuperação de pontes e de mobilidade. Em São Gonçalo, seu clã também foi beneficado com uma enxurrada de emendas parlamentares.
Ruas faz parte de um plano do PL para se manter no comando do estado. Com a renúncia de Castro, o cálculo era de que ele seria facilmente eleito para a presidência da Alerj, assumindo em seguida o Palácio Guanabara no lugar do desembargador Ricardo Couto e disputando uma eleição indireta para a cadeira. Para isso, ele contava com o amigo e presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL), que no dia 26 de março convocou uma votação relâmpago, pegando a oposição de surpresa. Ruas foi eleito na ocasião com 45 votos, mas a ssessão acabou suspensa no mesmo dia pela Justiça do Rio com base numa ação do PDT.
Após homologada a retotalização dos votos a deputado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), medida necessária após a cassação do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil), Delaroli convocou novamente eleição para a Mesa Diretora, na última quarta-feira. A oposição se uniu e ainda cogitou disputar, desde que a votação fosse secreta, como o PDT defendia numa ação. A Justiça, desta vez, negou o pedido da legenda. Nesta sexta, o pedetistas lançaram uma última cartada, com uma ação para suspender a convocação de Delaroli.
Candidato único, Ruas fez um discurso nesta sexta após o resultado da votação recheado de críticas aos adversários na Casa, em especial aos representantes do PDT e do PSD. A sua participação numa eleição indireta, como planejou seu campo político, que pretendia manter o controle da máquina durante campanha contra Paes, ainda é incerta. O curso da linha sucessória está em discussão pelo Supremo Tribunal Federal. O deputado já declarou que, mesmo se a decisão for por eleição direta, ele irá concorrer. O PL quer, com Ruas, garantir um palanque forte para Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, no berço do bolsonarismo.
O deputado se desincompatibilizou em março da Secretaria das Cidades, seguindo a estratégia. Antes de chegar à Alerj, ele ocupou a Subsecretaria de Trabalho de São Gonçalo, a Superintendência regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais do município governado pelo pai, policial militar reformado.







