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Ministro do Meio Ambiente desdenha de Chico Mendes: ‘Que diferença faz?’

Em entrevista ao programa Roda Viva, Ricardo Salles também minimizou reconhecimento da ONU ao líder seringueiro assassinado em 1988

Por Da Redação 12 fev 2019, 17h09

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles afirmou, na noite de segunda-feira, 11, ao programa Roda Viva, que não conhece o líder seringueiro Chico Mendes e que já ouviu “histórias” diferentes sobre ele. Questionado pela bancada de entrevistadores, ele afirmou: “O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes neste momento?”.

“Eu tenho um certo cuidado em falar sobre coisas que eu não conheço. Eu escuto histórias de todo lado. Do lado dos ambientalistas, mais ligados à esquerda, um enaltecimento do Chico Mendes. As pessoas que são do agro, da região, dizem ‘olha, o Chico Mendes não era isso que é contado’. Dizem que o Chico Mendes usava os seringueiros para se beneficiar. Fazia uma manipulação da opinião”, afirmou.

Salles também rebateu o comentário de que o Chico Mendes obteve reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) por sua atuação como ambientalista. “A ONU reconhece um monte de coisa errada também”, afirmou o ministro.

O comentário de Salles colocou Chico Mendes entre os assuntos mais comentados do Twitter. A ex-ministra do Meio Ambiente e líder da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, disse que Salles “não é ambientalista e é desinformado” e criticou a “ignorância do ministro”.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também se manifestou. “Chico Mendes foi trabalhador, ativista, líder social, seringueiro, parlamentar, perseguido político, exemplo de luta. Deu sua vida pelo meio ambiente e foi covardemente assassinado pelo sistema. Respeite Chico Mendes, ministro”, escreveu a parlamentar no Twitter.

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A declaração do ministro ocorreu pouco tempo antes de sua viagem para o oeste do Pará, que deve acontecer nesta quarta-feira, 13. Ricardo Salles integrará uma comitiva do governo ao lado dos ministros Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

A visita é parte de uma estratégia que visa aumentar a presença do Estado na região amazônica. A iniciativa seria uma resposta ao Sínodo Sobre Amazônia, que será organizado em outubro, em Roma, pelo Vaticano, e que deve ser pautado por críticas à política ambiental do governo Bolsonaro.

Quem é

Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, foi um seringueiro, ativista político e ambientalista brasileiro. Morreu em 1988, aos 44 anos, assassinado a tiros de escopeta em sua casa, em Xapuri (AC).

Em 1980, ele ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT), como uma das principais lideranças no Acre. Foi candidato a deputado estadual duas vezes, mas não conseguiu se eleger. Antes do PT, ele foi eleito vereador pelo MDB em 1977, mas, por divergências ideológicas, saiu do partido.

O líder seringueiro recebeu em 1987 o Global 500, prêmio da ONU que reconhecia feitos de pessoas ou organizações para o meio ambiente. Nos Estados Unidos, ele conquistou a Medalha de Meio Ambiente da Better World Society.

Confira a entrevista do ministro:

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