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‘Quanto mais agridem, mais dá vontade de votar’, diz Cunha

Presidente da Câmara dos Deputados confirma intenção de iniciar a votação, em urgência, de projeto que amplia modalidades de terceirização

Por Marcela Mattos 7 abr 2015, 18h43

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não cedeu à baderna provocada por sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) nesta terça-feira. Contrários ao projeto que amplia as modalidades de terceirização de trabalhadores, manifestantes forçaram a entrada na Casa e chegaram a entrar em choque com policias. Segundo Cunha, há parlamentares envolvidos na confusão.

“Da minha parte, não mudou nada. A ideia é continuar votando. Quanto mais agridem, mais dá vontade de votar”, disse Cunha após se reunir com líderes partidários.

“Cada vez que há uma pressão exercida de forma indevida, o Congresso tem de responder votando. Nós temos de ter o direito de exercer a nossa representação. Quando parte para a agressão, depredação e o baixo nível que teve aqui hoje, o Congresso tem de reagir. Da minha parte, só estimula mais a votar”, acrescentou.

Em tramitação há onze anos, o projeto estende a permissão da terceirização para as atividades-fim. Hoje, a lei permite a terceirização apenas das atividades-meio. Um exemplo: atualmente, uma universidade pode terceirizar o serviço de faxina. Pela nova lei, o professor também poderia ser terceirizado. O PT e o governo são contra a proposta.

Em meio à resistência, com a perspectiva de uma sequência de manobras protelatórias, a Câmara deve apenas iniciar a votação nesta terça-feira com a apreciação da urgência. Segundo Cunha, a análise do projeto pode, inclusive, ser encerrada na próxima semana.

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Balanço – Após o tumulto, a Câmara dos Deputados divulgou um balanço do protesto convocado pela CUT: três manifestantes, dois policiais, um deputado e um visitante foram atendidos pelo departamento médico da Casa. Dos manifestantes, dois deles foram transferidos para o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) por apresentarem cortes. O deputado e ex-sindicalista Vicentinho (PT-SP) foi o único parlamentar envolvido: ele chegou a circular na Casa de cadeira de rodas, mas, após ser atendido por um médico oftalmologista, não foi constatada nenhuma lesão ocular.

De acordo com Cunha, foi flagrada, por meio de fotografias e filmagens, a participação de deputados no ato. Sem citar o nome dos envolvidos, ele afirmou que parlamentares que “incitaram multidões a invadir ou agredir” vão ser alvo de processo na corregedoria da Casa.

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