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Quando uma doméstica vai à Disney, é como babá, diz sindicalista a Guedes

Presidente da federação da categoria afirma que frase do ministro da Economia sobre empregadas viajando aos EUA é ‘infeliz, mesquinha e escravocrata’

Por André Siqueira - 13 fev 2020, 16h54

A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Luíza Batista Pereira, criticou nesta quinta-feira, 13, a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o fato de que, com o dólar baixo, as empregadas domésticas estavam viajando para a Disneylândia. “Causa indignação essa declaração infeliz, mesquinha e escravocrata de um ministro que desrespeita a classe trabalhadora e governa para os ricos”, disse a VEJA.

Na noite da quarta-feira 12, Guedes disse que uma taxa de câmbio mais alta é “boa para todo mundo” porque o dólar mais baixo estava prejudicando as exportações do país e permitindo que “todo mundo” pudesse ir para a Disneylândia. “Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vou exportar menos, em função de importações, turismo, todo mundo indo pra Disneylândia. Empregada doméstica indo pra Disneylândia. Pera aí”, afirmou em um evento.

“A Fenatrad não conhece qualquer trabalhadora que vai à Disney a passeio. Não ganhamos para isso, todos sabem. Quando uma de nós vai, vai acompanhando os patrões, vai como babá, vai para trabalhar. Mal ganhamos para manter nossa famílias, para sustentar nossos filhos”, disse a sindicalista. “Talvez a trabalhadora dele já tenha ido para a Disney, porque ele deve pagar bem, já que tem bastante apreço pelos trabalhadores”, ironizou.

Luiza também ressaltou que Guedes, a quem se referiu como “esse cidadão”, “não significa nada” para a categoria. Segundo ela, o ministro, que na semana anterior havia chamado os funcionários públicos de “parasitas”, deveria se preocupar em incentivar a fiscalização para garantir direitos às trabalhadoras. “Sempre fomos marginalizadas, conquistamos direitos, é verdade, mas não existe fiscalização do governo para que os patrões registrem as trabalhadoras”.

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