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QG eleitoral de Dilma ficará em prédio de empresa com contratos federais

Alugado por R$ 135.000 mensais, o local passará por reforma. Locatário já recebeu do governo 18,3 milhões de reais em contratos

Por Da Redação 11 mar 2014, 09h04

O novo centro de controle de onde sairão as principais ordens para a campanha que busca a reeleição da presidente Dilma Rousseff funcionará em dois pavimentos de 2.400 metros quadrados de um edifício na área central de Brasília, com subsolo de mais 200 metros quadrados capaz de abrigar onze veículos ou servir de escritório. O PT, partido de Dilma, escolheu para ‘QG eleitoral’ um imóvel pertencente a uma empresa que tem contratos com órgãos do governo. Desde a posse da presidente, essa empresa já recebeu 18,3 milhões de reais em contratos. O QG petista será no edifício Embassy Tower, do Grupo Sarkis (SKS), que controla uma rede de empresas do setor imobiliário.

Desde 2011, o Ministério da Cultura pagou ao SKS 13,5 milhões de reais, referentes ao aluguel de espaços na capital federal. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, repassou 4,8 milhões de reais, também pela locação de salas do mesmo grupo.

Os dois órgãos são comandados pelo PT desde o início do governo Dilma. Os contratos foram firmados sem licitação, de acordo com nota de empenho registrado no Portal da Transparência. Antes de receber o comitê de reeleição, o PT pretende fazer uma reforma. “O novo inquilino vai reformar ele todo para a gente; vai entregar outro imóvel”, afirma um administrador do grupo responsável pela negociação.

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Por enquanto, a pré-campanha de Dilma funciona em São Paulo no escritório do marqueteiro João Santana, que está focado na disputa presidencial. Já está definido que o deputado estadual Edinho Silva (SP) será o tesoureiro do comitê.

No Embassy Tower vão trabalhar as principais equipes de apoio à pré-campanha e à disputa eleitoral, que começa oficialmente em julho. O local não deve ser o único QG da campanha de Dilma, que será concentrada em Brasília. Um integrante do comando da candidatura diz que outros imóveis podem ser alugados.

Pesquisa de preço – O grupo SKS confirma que alugou o espaço para o PT e que mantém contratos com o governo. O partido deve pagar 135.000 reais mensais pelos dois andares do prédio. O contrato, já em vigor, tem nove meses de duração e poderá ser prorrogado.

“Pertence ao nosso grupo. Não tem superfaturamento, nada disso. Antes de fechar, o partido fez uma pesquisa de preços e o nosso foi o mais baixo”, disse Thiago Sarkis, um dos representantes do SKS. Além do setor imobiliário, o SKS atua na construção civil, produção de cimento, concreto, aço, mineração e hotelaria. Outras empresas do grupo também têm negócios com o governo federal.

Procurada, a assessoria de imprensa do PT não respondeu os questionamentos sobre o contrato. O PT costuma afirmar, quando questionado sobre despesas com fornecedores, que suas despesas são registradas no Tribunal Superior Eleitoral.

Em 2010, o comitê de Dilma usava duas casas no Lago Sul, área nobre de Brasília. Uma era parcialmente mantida pelo empresário Benedito de Oliveira, que também mantinha contratos com o governo na época.

(Com Estadão Conteúdo)

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