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PT teme ligação com Cabral e Garotinho em caravana de Lula no RJ

Dirigentes do PT receiam lembrança de que partido participou ativamente das gestões dos ex-governadores e de Luiz Fernando Pezão

Por Estadão Conteúdo - 30 nov 2017, 11h57

Em conversas reservadas, dirigentes do PT dizem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria cancelar viagem programada para o Rio de Janeiro, em dezembro. Eles querem evitar que seu nome seja associado aos dos ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR), ambos presos por suspeitas de corrupção.

Lula deve visitar as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um dos principais focos de corrupção na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato, na caravana pelos estados do Espírito Santo e Rio, prevista para acontecer entre os dias 4 e 8 de dezembro.

Petistas alertam ainda para o risco de atrelamento da imagem do ex-presidente ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que enfrenta uma crise financeira e administrativa sem precedentes na história do Estado. O PT apoiou e participou dos três governos. Um dirigente classificou a manutenção da caravana como “uma burrada sem tamanho”.

O coordenador do evento, Márcio Macedo, um dos vice-presidentes do PT, nega que a direção partidária tenha cogitado desistir da viagem. “Vamos mostrar que, nos governos Lula e Dilma, o Rio viveu seus tempos áureos”, disse o dirigente.

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De acordo com Macedo, a visita ao Comperj tem como objetivo denunciar o abandono da obra em função da Lava Jato. “A obra tem de ser retomada”, conclui.

Anunciado em 2008 na esteira de euforia da descoberta do pré-sal como a mais ousada obra da Petrobrás e uma das maiores do país, o Comperj tinha previsão inicial de custo de 8 bilhões de dólares e geração de 200.000 empregos. Passados nove anos, os canteiros estão abandonados, 27 000 pessoas ficaram desempregadas, e o Tribunal de Contas da União (TCU) estima prejuízos de 544 milhões de reais em função da corrupção.

 

‘Legado’

Na viagem, marcada desde maio, Lula pretende visitar dez cidades em quatro dias. É a terceira caravana do petista neste ano. As primeiras foram pelo Nordeste e Minas.

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O ex-presidente passará por universidades que tiveram investimentos nos governos petistas, obras gestadas nas administrações do partido e beneficiários de programas sociais, mas a maioria dos eventos é de caráter popular. “Esta é uma agenda de Lula com o povo”, disse Macedo.

No Rio, o petista vai se reunir com intelectuais e participar de um ato em defesa da educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que atravessa grave crise financeira.

Segundo o coordenador da caravana, o ex-presidente vai destacar o legado dos governos petistas, em especial a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, e comparar com o que chama de paralisia do governo Michel Temer (PMDB).

Ao contrário de outras caravanas, quando Lula se encontrou até com integrantes de partidos que votaram pelo impeachment de Dilma, não estão previstos encontros com políticos de outras legendas.

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Lava Jato

Cabral, sua mulher, a advogada Adriana Anselmo, e outras cinco pessoas entraram na mira da Lava Jato por conta das obras do Comperj. Delatores da empreiteira Andrade Gutierrez disseram que pagavam mesada, que somou 2,7 milhões de reais ao ex-governador.

O próprio ex-presidente é alvo da operação e foi condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

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