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PT conclama militância e ataca Lava Jato: ‘Violência’

Instituto Lula foi alvo de devassa da PF nesta manhã e, através de nota, criticou o mandado de condução coercitiva do ex-presidente

Por Da Redação - 4 mar 2016, 11h51

Como esperado, governo e petistas reagiram à ação da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula, deflagrada nesta sexta-feira, adotando o tom da vitimização e relacionando as investigações a um golpe contra um projeto de mudança social no país. O Instituto Lula, alvo de uma devassa de agentes policiais nas primeiras horas do dia, emitiu nota em que ataca a Operação Lava Jato e afirma que o ex-presidente sofreu uma “violência” com vistas a um “constrangimento público”.

“A violência praticada nesta manhã – injusta, injustificável, arbitrária e ilegal – será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e no estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o país, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social”, afirma a entidade. “É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história.”

O Instituto Lula criticou o mandado de condução coercitiva, evitado desde o início pelo ex-presidente, e ponderou que ele já prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos. A entidade acrescenta que o ex-presidente jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida antes, durante ou depois de governar o país e que ele jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato ou em quaisquer outras.

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Na direção nacional do PT, o clima também é de revolta. O presidente Rui Falcão fez uma conclamação à militância para que todos os diretórios entrem em vigília enquanto aguardam ao fim do depoimento de Lula à Polícia Federal. “Estamos aguardando o desdobramento dessa operação midiática policialesca e sem nenhuma necessidade. Todas as vezes em que o presidente Lula foi convocado a depor ele o fez. É um espetáculo político que mostra qual o verdadeiro caráter dessa operação. Não se trata de combater a corrupção, mas simplesmente de atingir o PT, o presidente Lula e o governo da presidente Dilma”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.

Líder do PT na Câmara, o deputado Afonso Florence (BA) relacionou a ação da PF a um acordo com a oposição. “É uma ação injustificada, ilegal e politicamente coordenada com ações da oposição. A PF não é dirigida pela oposição, mas há prepostos do poder público na Polícia Federal que têm uma ação nitidamente articulada”, disse o petista. “Agora tirou-se o manto de possível imparcialidade. É uma operação política coordenada pela Lava Jato”, continuou.

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Por meio de nota, o ministro Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social) declarou-se “perplexo e indignado” com ação da Polícia Federal. “O presidente Lula já prestou depoimento e sempre se colocou à disposição das autoridades. Isso não é justiça, isso é uma violência”, disse. Rossetto afirmou ainda que a ação é um claro ataque ao que Lula representa como uma liderança política e social.

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