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PT adia candidaturas para atrair aliados e tentar conter Ciro

Objetivo é ganhar tempo para costurar alianças e impedir que o ex-ministro se torne principal alternativa de esquerda. Petistas miram apoio do PSB

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 7 jun 2018, 10h54 - Publicado em 7 jun 2018, 10h46

A Executiva Nacional do PT decidiu, na noite de terça-feira, 5, prorrogar a definição das candidaturas estaduais e nacional do partido. O objetivo é ganhar tempo para negociar uma aliança nacional com possíveis aliados, especialmente o PSB, e evitar que estes partidos reforcem a pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) à Presidência.

A decisão ocorreu poucas horas depois de uma reunião entre a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e o presidente do PSB, Carlos Siqueira.

Depois do encontro, os petistas voltaram a acreditar na possibilidade de uma aliança com os pessebistas com base em acertos estaduais. PT e PSB negociam apoios mútuos em 11 Estados (PE, MG, BA, CE, AP, AM, PB, AC, PI, ES e RO). Embora o PT mantenha publicamente o discurso de manutenção da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há dois meses em Curitiba, a prorrogação do calendário dá tempo à construção de uma alternativa.

As chaves para o entendimento são Pernambuco, onde o PSB quer apoio para a reeleição de Paulo Câmara, e Minas Gerais, em cuja disputa estadual o PT quer o apoio dos socialistas ao atual governador, Fernando Pimentel.

Com a decisão da Executiva, o PT pernambucano é obrigado a adiar pela segunda vez o encontro estadual que vai decidir entre o apoio a Câmara e a candidatura própria da vereadora Marília Arraes, que estava marcado para domingo. Estimativas internas apontavam para a possibilidade de vitória de Marília, o que inviabilizaria a aliança nacional com o PSB.

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A reunião entre as cúpulas, na terça, também renovou a esperança do PT de contar com o apoio do PSB em Minas, diante do avanço da pré-candidatura ao governo do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB).

“Respeitamos a postulação do ex-prefeito, mas não haveria nenhum tipo de anormalidade em uma aliança do PT com o PSB em Minas”, disse o deputado Odair Cunha (PT-MG). Dirigentes petistas cogitam oferecer a Lacerda vaga de vice na chapa presidencial.

A resolução da Executiva do PT diz que as pré-candidaturas estaduais estão mantidas “até que as tratativas com os demais partidos sejam acordadas” e cita explicitamente o nome de Marília Arraes. No entanto, a resolução deixa claro que todas decisões estaduais estão subordinadas à eleição presidencial. Um dos principais objetivos do partido, hoje, é evitar o isolamento.

Além disso, o PT quer evitar que PSB e PCdoB embarquem na candidatura de Ciro e transformem o presidenciável do PDT na principal alternativa eleitoral da esquerda. “O PT fará de tudo para viabilizar uma aliança nacional com PSB e PCdoB”, disse o deputado José Guimarães (PT-CE), líder da minoria na Câmara.

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