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PSDB corre contra o tempo para fechar acordo sobre eleição da executiva

Tucanos de São Paulo exigem secretaria-geral e presidência do Instituto Teotônio Vilela

Por Carolina Freitas 24 Maio 2011, 19h02

“A negociação vai até o último minuto do segundo tempo”, Pedro Tobias, presidente do PSDB-SP

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, corre contra o tempo para chegar à convenção nacional do partido, no próximo sábado, com o mínimo de consenso. Guerra quer evitar a reprise dos rachas ocorridos nas convenções municipais e estaduais. Na cidade de São Paulo, seis vereadores deixaram o PSDB por se sentirem excluídos do comando. Guerra começou as conversas com lideranças regionais há duas semanas, mas ainda há muito a negociar. Leia também: Sérgio Guerra: “Não dividiremos o comando do PSDB em cotas” O maior enrosco está em São Paulo, onde o PSDB ocupa o governo do estado e onde residem caciques como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Os paulistas exigem ao menos dois assentos na direção: a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), para Serra, e a secretaria-geral do partido. A proposta era o ex-governador Alberto Goldman na secretaria, mas os paulistas aceitam negociar a indicação, desde que a vaga fique com São Paulo. Goldman foi internado com um problema no coração e operado nesta terça. Não irá à convenção no sábado. Guerra reuniu-se na segunda-feira com a direção estadual, com Alckmin e com Fernando Henrique. Prometeu uma resposta ao pedido até quinta-feira – dois dias antes da convenção. “A situação ainda está meio encrencada”, resume o presidente do PSDB-SP, deputado Pedro Tobias. “A negociação vai até o último minuto do segundo tempo.” Os tucanos de São Paulo argumentam que, pelo peso do estado, merecem as vagas. “Quase 60% da votação para deputado veio de São Paulo”, afirma Tobias. “Sem cargo na executiva, ficamos alijados.” Grupos ligados a Serra ameaçam retirar o apoio a recondução de Guerra à presidência do PSDB caso não tenham suas exigências aceitas. “Sérgio Guerra é uma pessoa muito preparada. Pela sua inteligência, ele vai contemplar nossa demanda”, afirma o líder do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo, Orlando Morando. Dar o comando do ITV a Serra se tornou um ponto de honra para os paulistas. O nome cogitado até agora era de Tasso Jereissati. O curioso é que, há dois meses, Sérgio Guerra convidou Serra a ocupar o posto dentro da nova executiva. O ex-governador declinou. Agora, dizem aliados de Serra, ele está sim interessado no posto. “O partido deveria estar pedindo para Serra ser candidato, não o inverso”, afirma Morando. “A banana está comendo o macaco nessa história. O interesse em tê-lo como presidente do ITV deveria ser do partido.” Em jogo, está o espaço que os aliados de Serra e os aliados de Aécio Neves terão na máquina partidária. Cada grupo tenta se firmar de olho nas eleições de 2014, quando Serra e Aécio devem disputar a indicação do PSDB para que um deles seja lançado à Presidência da República.

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