Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Protesto contra o governador do Rio fecha vias do Leblon

Manifestantes se reuniram em frente à rua de Cabral e se espalharam pelo bairro

(Atualizado às 22h10)

Centenas de pessoas protestaram mais uma vez em frente à casa do governador Sérgio Cabral, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Na noite desta quarta-feira, uma das principais avenidas do bairro, a Delfim Moreira, foi interditada nos dois sentidos pela multidão. Na esquina com a Rua Aristides Espínola, onde está localizado o prédio em que mora a família Cabral, um boneco foi queimado. Em pequenos grupos, a multidão foi se dispersando pelo bairro, ocupando outras importantes vias e complicando o trânsito. A maioria vestia roupa preta e cobria o rosto com máscaras ou camisetas – como fazem os que, normalmente, instigam o confronto com a polícia.

Confira o mapa

Por volta das 21h30, manifestantes cercaram a Rua Aristides Espínola, no encontro com as avenidas Delfim Moreira e General San Martin.

  • Esquina onde mora Sérgio Cabral

Um trecho de outra avenida, a Ataulfo de Paiva, chegou a ser fechado. Por volta das 21h30, os manifestantes cercavam a rua de Cabral também na esquina da Avenida General San Martin. Pouco depois, outro grupo seguiu em caminhada pela Avenida Bartolomeu Mitre até um prédio da Rede Globo, que teve as portas de vidro quebradas por pedras. Uma fogueira foi feita a partir da queima de papelões e uma tinta branca foi espalhada pelos muros. O movimento não foi acompanhado pela polícia.

Em um edifício em frente à rua do governador permanecia a maior parcela de manifestantes, que projetavam imagens dele, chamado de “crápula” e ilustrado com o bigode característico de Adolf Hitler. “Ô ô ô, Cabral é ditador”, gritavam. Também havia menção à Polícia Militar, que esta semana admitiu excessos e se comprometeu a usar menos armamento não letal durante as manifestações.

Leia: Governo do Rio admite excessos da polícia em protestos

Justiça – O ato foi acompanhado por promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro, segundo informou a Polícia Militar em seu perfil no Twitter. Advogados voluntários anunciaram mais cedo que estariam de plantão na 14ª DP (Leblon), desde as 18h30. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também divulgou telefones de plantão para o caso de urgências.

A segurança já estava reforçada no local por volta das 15 horas, quando o acesso à rua de Cabral e outras adjacentes ficou restrito aos moradores. O Batalhão de Choque deslocou dezesseis veículos – além de outros três comuns da Polícia Militar – e um caminhão-pipa, usado para dispersar grupos com um jato potente de água. Grades de ferro reforçam o isolamento da área.

O evento, convocado pelo Facebook, reuniu mais de 10.000 confirmações de presença. Entre as reivindicações, estão a criação de CPIs para apurar gastos com a Copa do Mundo e o uso de helicópteros pela família Cabral, além da desmilitarização da Polícia Militar, do fim da privatização do Maracanã e do pedido de renúncia de Cabral e seu vice, Luiz Fernando Pezão.

Relembre o ato anterior no Leblon: Protesto termina com bombas e correria

Jornada – A tensão com os protestos aumenta com a proximidade da chegada do papa Francisco, para a Jornada Mundial da Juventude. O pontífice desembarca na cidade na próxima segunda-feira, para uma semana de evento. O primeiro compromisso é uma recepção no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, onde também já foram feitas manifestações e houve tumulto entre policiais e manifestantes. Nesta quarta-feira, o Vaticano negou que haja planos de tirar do Guanabara a recepção, como sugerido por autoridades brasileiras de segurança.

Leia também:

Governo do Rio admite excessos da polícia em protestos

Lindbergh Farias, o cara-pintada contra a bala de borracha

Paes pede trégua nos protestos do Rio: ‘Papa não tem culpa’