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Pressionado, André Vargas anuncia desfiliação do PT

Escanteado pela cúpula do PT após denúncias de relação com doleiro Alberto Youssef, o deputado federal encaminhou pedido de desfiliação

Por Laryssa Borges e Marcela Mattos, de Brasília - 25 abr 2014, 19h42

Escanteado pela cúpula do PT após a revelação de seu estreito relacionamento com o doleiro Alberto Youssef, o deputado federal André Vargas encaminhou nesta sexta-feira seu pedido de desfiliação dos quadros petistas. No início da semana, os caciques do partido haviam tido uma conversa tensa com Vargas, que sempre insistiu em manter no cargo de deputado federal e se blindar, por enquanto, com o direito ao chamado foro privilegiado. Diante da resistência do deputado, a ideia do PT era tentar enquadrar os cerca de 30 parlamentares que ainda se mantinham aliados a Vargas e que defendem que ele não abra mão do mandato.

“Sem partido, irei dedicar-me agora à minha defesa no Conselho de Ética da Câmara, confiante de que me serão asseguradas as prerrogativas do contraditório e da ampla defesa”, afirmou Vargas em nota. De acordo com seu advogado, Michel Saliba, o pedido de desfiliação foi encaminhado para a Justiça Eleitoral na tarde desta sexta-feira, e na próxima segunda-feira o diretório do PT no Paraná e a seção nacional do partido serão informados da decisão. A primeira carta com a desfiliação foi enviada para o presidente do diretório do PT em Londrina, Gerson da Silva. Com a decisão, Vargas fica sem legenda para disputar as eleições de outubro.

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No início do mês, depois que a cúpula do PT se recusou a defendê-lo publicamente, Vargas deixou o cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados. Na carta em que justificava a decisão, também alegou que precisaria se dedicar à defesa que apresentará no Conselho de Ética, que deve votar no próximo dia 29 o relatório preliminar do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que pode levar à cassação do petista. A representação a que o petista responde foi motivada pelas ligações do congressista com Youssef, preso na Operação Lava-Jato e apontado como um dos principais personagens de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 10 bilhões de reais nos últimos anos.

Homem-bomba – Por não ter recebido a solidariedade da cúpula da sigla, Vargas é considerado por petistas um “homem-bomba”. Conforme revelou VEJA, na tentativa de manter o cargo, o deputado, que se dizia um homem “muito influente” dentro do partido, chegou a ameaçar integrantes do próprio PT e elegeu como primeiros alvos o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, ambos com bases eleitorais no Paraná, além do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha.

A interlocutores, Vargas vinha insinuando que Bernardo seria beneficiário do esquema ilegal de distribuição de recursos que envolve a Petrobras e atuaria como intermediário entre a estatal e o grupo Schahin, recorrente em escândalos políticos. Em depoimento ao Ministério Público, por exemplo, o operador do mensalão Marcos Valério informou que a construtora Schahin simulou serviços prestados a Petrobras e, com os recursos pagos pelo contrato não executado, pagou pelo silêncio de um empresário que poderia comprometer o ex-presidente Lula com o assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

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