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Presos na operação da Polícia Federal prestam depoimento em Curitiba

24 pessoas foram presas suspeitas de integrarem quadrilha que movimentou até dez bilhões de reais. Carros de luxo, joias e euros foram apreendidos

Por Da Redação 18 mar 2014, 09h47

A Polícia Federal do Paraná começa a ouvir nesta terça-feira os 24 presos na operação que desmantelou, na segunda-feira, um sofisticado esquema de movimentação financeira e lavagem de dinheiro operado por pessoas físicas e jurídicas ligadas a crimes como o tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos e sonegação fiscal. A operação foi batizada de Lava-Jato.

Todos os presos estão sendo levados para Curitiba, onde prestarão depoimento. Segunda a Polícia Federal, os presos em Brasília e São Paulo são transportados no avião da Força Aérea Brasileira para o Paraná. Eles são suspeitos de fazer operações clandestinas de câmbio e abrir e administrar empresas de fachada para lavar dinheiro. Na operação deflagrada na segunda-feira, a polícia apreendeu 25 veículos de luxo, joias, obras de arte e documentos de quadrilhas que movimentaram dez bilhões de reais. Cinco milhões de reais em espécie foram apreendidos em cofres clandestinos.

Entre os presos estão os doleiro Alberto Youssef, Carlos Habib Chater e Enivaldo Quadrado. O grupo criminoso atuava em seis Estados – SP, PR, SC, MT, RJ e RS – e no Distrito Federal e usava postos de gasolina e lavanderias de roupas para fraudar o esquema e lavar dinheiro.

Quadrado foi condenado no julgamento do mensalão, mas sua pena foi revertida em multa. Ex-sócio da corretora Bônus-Banval, acabou preso na cidade de Assis, no interior de São Paulo.

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Yousseff foi um dos principais personagens da CPI do Banestado, em 2005, quando afirmou em depoimento que pagava propina para os diretores do banco do Paraná para ter facilidades na remessa de dinheiro para o exterior por meio das extintas contas CC-5. Ele havia conseguido o benefício da delação premiada e, por isso, estava em liberdade. Yousseff foi preso em São Luís (MA). A polícia recolheu documentos nas propriedades dele, incluindo o hotel Blue Tree Towers, em Londrina (PR). Em nota, a Blue Tree Hotels afirmou que “não possui vínculo com o objeto da investigação”.

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Carlos Habib Chater, outro detido na operação, é filho de outro doleiro investigado desde os anos 90 pelas autoridades policiais: Habib Salim El Chater. Os dois foram presos em uma operação policial em 1991 e autuados por crime de colarinho branco. Ficaram presos por apenas dois dias, pagaram fiança e foram liberados. Eles também já foram investigados por suspeitas de atuarem em um esquema de contrabando de pedras preciosas e uso de moeda falsa.

Euros na calcinha – Outro alvo da PF era uma doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, presa na madrugada de sábado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar para Milão, na Itália, com 200.000 euros escondidos na calcinha. Nelma já estava com prisão decretada pela Justiça Federal em Curitiba sob suspeita de lavagem de dinheiro e foi autuada em flagrante por tentativa de evasão de divisas. Ao ser abordada por policiais, ela alegou que trabalha no ramo de design e decoração e usaria o dinheiro para comprar objetos na Europa.

De acordo com a PF, 400 policiais foram envolvidos na operação. Nos últimos nove meses, a PF monitorou os passos de transportadores de dinheiro para chegar aos chefes das quadrilhas, embora os criminosos já atuassem no mercado de câmbio há cerca de dez anos em Brasília.

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