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Presidente da OAB critica ideia de ministro de grampear advogados

Claudio Lamachia diz que proposta de Raul Jungmann de gravar encontros entre presidiários e defensores joga culpa da criminalidade sobre advogados

Por Da Redação - Atualizado em 23 set 2017, 14h02 - Publicado em 23 set 2017, 14h00

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, criticou, neste sábado, a sugestão do ministro da Defesa, Raul Jungmann, de gravar advogados de presidiários em visitas a seus clientes. Para o chefe da entidade máxima da advocacia, o Estado é o “principal responsável pela crise de Segurança Pública no Rio de Janeiro” e está “jogando para os outros a responsabilidade da criminalidade”.

“Face a incapacidade em utilizar de métodos de inteligência investigativa, algo elementar na abordagem moderna de combate ao crime, mira a advocacia, como se dela fosse a culpa pela existência das quadrilhas que comandam as prisões”, diz Lamachia, que pondera que a OAB punirá profissionais que cometerem “atos ilegais”.

O presidente da OAB ressalta que proposta de Jungmann “confunde a sociedade, dando a entender que os profissionais são responsáveis pelo avanço da violência”.  “A gravação de qualquer comunicação entre advogadas ou advogados e clientes é crime, prática que jamais deveria ser defendida por quem quer que seja, especialmente por aqueles que fazem parte do sistema de Justiça”, completa Claudio Lamachia.

Jungmann se reuniu nesta sexta-feira com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e declarou que é necessário limitar a comunicação entre presos e visitantes, que, segundo ele, faz das cadeias o “home office do crime”. As declarações foram dadas em meio à guerra entre facções criminosas pelo controle da favela da Rocinha, na zona sul do Rio, que se instaurou no último domingo. As Forças Armadas enviaram 950 homens à comunidade ontem.

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“A procuradora-geral deu uma sugestão que é colocar parlatórios dentro dos presídios e espero que seja seguido pelos Estados”, disse o ministro. Para Raul Jungmann, o contato dos presos com advogados e familiares livremente faz com que eles consigam comandar de dentro da prisão o crime nas ruas.

“A relação de um advogado e uma pessoa que cometeu crime é uma coisa. Mas advogado de um bando pode ser ameaçado e chantageado. Não quero criminalizar os advogados, estou dizendo que temos casos diferentes”, destacou. Segundo Jungmann, a sugestão seria levada à OAB.

(com Estadão Conteúdo)

 

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