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Presidente da Camargo Corrêa diz que pagou propina na ferrovia Norte-Sul

Dalton Avancini afirmou, em acordo de delação premiada, que contratos com a Valec obedeceram a regras similares às do cartel na Petrobras, diz jornal

Por Da Redação 2 abr 2015, 09h47

Em prisão domiciliar depois de selar acordo de delação premiada com a Justiça, o empreiteiro Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, afirmou à força-tarefa da Operação Lava Jato que pagou propina para executar obras na ferrovia Norte-Sul – e que a operação se deu nos mesmos moldes do megaesquema de corrupção instalado na Petrobras, com direito até a cartel de empreiteiras. As informações são do jornal O Globo. De acordo com a reportagem, o executivo admitiu ainda que o esquema, assim como o petrolão, abasteceu cofres de partidos políticos e encheu os bolsos de agentes públicos.

Liberado da carceragem da PF na segunda-feira, o executivo estava preso desde 14 de novembro, quando foi deflagrada a Operação Juízo Final, etapa da Lava Jato em que sócios e funcionários de empreiteiras foram presos por fraudes e corrupção em contratos da Petrobras. Após longa negociação com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, Avancini e o vice-presidente comercial da construtora Camargo Corrêa, Eduardo Leite, fecharam acordo de delação premiada.

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Os executivos prestaram depoimentos diariamente por quase duas semanas, em que confessaram crimes e apresentaram novas provas do esquema de corrupção na Petrobras e em outras estatais, em troca de eventual condenação mais branda pela Justiça. Como parte da punição estipulada pelos acordos, Avancini teve de pagar multa de 5 milhões de reais, e Leite, de 2,5 milhões de reais. Nos depoimentos prestados no acordo, eles confirmaram pagamento de propina para João Vaccari Neto, tesoureiro nacional do PT, e para Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal.

De acordo com O Globo, Avancini detalhou a existência de outro “clube” de empreiteiras na Norte-Sul. Agora, os investigadores querem saber se as regras eram as mesmas do cartel que Ricardo Pessôa, dono da UTC, comandava na Petrobras. Entre as empresas envolvidas neste clube estariam velhas conhecidas da Lava Jato, como a Constran, ligada à UTC, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão. A Camargo Corrêa participou de contratos que somam 1 bilhão de reais na Norte-Sul, assinados com a Valec, estatal do Ministério dos Transportes que desenvolve projetos ferroviários. Na Norte-Sul, as empresas do “clube do Bilhão” assumiram catorze lotes de obras. Em quatro deles, sob responsabilidade da Constran-UTC, o Tribunal de Contas da União (TCU) achou “gordura” de 64,6 milhões de reais em contratos que somam 390 milhões de reais.

Avancini ainda prestará novos depoimentos em que detalhará como eram feitos os pagamentos e os valores da propina. Mas já adiantou que a distribuição do butim seguia regras similares ao esquema do petrolão, de acordo com o jornal.

(Da redação)

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