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Presidente da Camargo Corrêa deve confirmar propina para Dirceu

Ex-ministro mensaleiro recebeu 886.500 reais para prestar serviços vagos; delação premiada será feita na quinta-feira

Por Daniel Haidar, de Curitiba 4 mar 2015, 16h10

O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, deverá confirmar aos investigadores da Operação Lava Jato que a empresa pagou propina ao ex-ministro José Dirceu. Foi justamente Avancini quem assinou, acompanhado de outro diretor, um contrato de consultoria com Dirceu, pelo qual o mensaleiro recebeu 886.500 reais líquidos para prestar serviços vagos, como “fazer análise de aspectos sociológicos e políticos”. A suspeita é que os desembolsos fossem, na verdade, recompensa pelo favorecimento à empreiteira em contratos fechados com o governo federal.

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Detalhar o pagamento a Dirceu é uma das exigências impostas pelos negociadores do acordo de delação premiada fechado com Avancini. Mentir ou omitir informações resultará na perda dos benefícios. Pelo acordo, Avancini se comprometeu a pagar multa de 5 milhões de reais e poderá cumprir prisão domiciliar quando terminar de ser ouvido. Os depoimentos devem começar na quinta-feira.

O ex-ministro é investigado em inquérito da Polícia Federal desde o fim do ano passado. Os investigadores analisam todos os pagamentos feitos não só pela Camargo Corrêa, mas também por outras empreiteiras do Clube do Bilhão, confirmados pela quebra do sigilo fiscal do mensaleiro.

Além da consultoria ser considerada um disfarce para o suborno, a investigação já tem indícios de que Dirceu recebeu pagamentos em espécie, de acordo com depoimento em delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Ele relatou que Dirceu utilizava um avião do lobista Júlio Camargo, outro delator da investigação. Camargo, no entanto, escondeu dos investigadores o relacionamento com Dirceu e, se confirmado que omitiu informações, pode perder os benefícios de acordo de delação premiada.

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