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Preocupado com as declarações de Dilma, governo iraniano se esforça para manter o Brasil em seu rol de aliados

Teerã teme ser abandonada quando a presidente eleita assumir, diz jornal

Por Da Redação 8 dez 2010, 06h49

“Não concordo com as práticas medievais características que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu não farei nenhuma concessão em relação a isso”

Dilma Rousseff, presidente eleita

As recentes críticas da presidente eleita, Dilma Rousseff, à complacência do governo brasileiro ante as violações de direitos humanos no Irã parecem ter preocupado o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. De acordo com a edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, Teerã não vai poupar esforços para manter o Brasil em seu rol de aliados.

“Nossa relação não era com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nossa relação tem um cunho estratégico com o estado brasileiro”, disse ao jornal o diretor do Departamento de Política do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Mohamed Najafi. Um das prioridades do país dos aiatolás será agora atrair Dilma para o seu lado.

O governo iraniano teme que o Brasil possa abandonar o Irã e não poupará esforços para que o governo brasileiro mantenha o diálogo com Teerã. “Vemos no Brasil um parceiro de longo prazo. O Brasil sabe de nosso potencial e temos a mesma percepção sobre o Brasil”, completou Najafi.

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No último domingo, o prestigiado jornal americano The Washington Post publicou uma entrevista com a presidente eleita em que Dilma critica o comportamento do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de novembro, ao se abster de votar uma condenação às violações de direitos humanos no Irã. Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição”, afirmou a petista.

Na votação, a ONU aprovou uma censura ao regime iraniano por violações de direitos humanos e pediu o fim dos apedrejamentos, da perseguição a minorias e de ataques a jornalistas. O Brasil foi um dos 57 países que se abstiveram na votação – outros 80 votaram a favor da condenação e 44 foram contrários. A aproximação do Brasil com o Irã tem sido vista com preocupação por Estados Unidos e Europa.

A censura da ONU a Teerã foi motivada pela condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Mohammadi-Ashtiani, acusada de adultério e de envolvimento no assassinato do marido. “Não concordo com as práticas medievais características que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu não farei nenhuma concessão em relação a isso”, garantiu Dilma. “Não sou a presidente do Brasil (hoje), mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando assumir.”

Leia na coluna de Ricardo Setti:

A declaração é tanto mais importante por ter sido feita antes da posse. E adquire significado especial, a meu ver, porque a presidente poderia perfeitamente ter se esquivado da pergunta, dizendo que ainda não está no cargo e, portanto, se absteria de comentar posturas adotadas pelo governo ao qual vai suceder.

Dilma começa com o pé direito sua atuação no cenário internacional e merece aplausos.

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