Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Prefeito do Rio lança obras do Museu do Amanhã, com previsão de gastos de 215 milhões de reais

Projeto assinado pelo espanhol Santiago Calatrava começou em 65 milhões de reais. Eduardo Paes nega risco de mais estouros no orçamento, como aconteceu com a Cidade da Música, herdade de Cesar Maia

A construção do Museu do Amanhã é complexa. Para a estrutura do teto se movimentar, como idealizou Calatrava, são necessários eixos móveis e engrenagens que, por exigência do arquiteto, só podem ser produzidas por uma empresa escolhida por ele próprio. A previsão inicial era de 42 eixos. Mas, para conter a gastança, o prefeito contentou-se com apenas dois

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, lançou nesta terça-feira as obras para a construção do Museu do Amanhã, na zona portuária da cidade. A estrutura futurista idealizada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava assemelha-se a um peixe, ou a ondas que se movem na Baía de Guanabara. Há, no projeto, premissas obrigatórias para uma obra desse porte nos dias de hoje, como uso de energia solar, reaproveitamento de água e preceitos de sustentabilidade.

Não há dúvida de que o Museu do Amanhã caminha para ser um marco arquitetônico e, possivelmente, cultural da cidade. Mas o que Paes faz questão de afastar, e que naturalmente é uma preocupação, são as semelhanças da história do projeto de agora com outro do qual o alcaide não se orgulha: a Cidade da Música, herança deixada por Cesar Maia e que Paes, desafeto do antecessor, custou a retomar.

A crítica principal de Paes à Cidade da Artes – nome que ele próprio escolheu para rebatizar o projeto – é o custo excessivo. De 86 milhões de reais, na previsão original, a obra iniciada por Cesar Maia já consumiu mais de 431 milhões, e caminha para ser concluída com mais de meio bilhão, ou 515 milhões, em uma estimativa mais precisa.

O Museu do Amanhã começou com 65 milhões de reais. Mas, ao longo do caminho, já está em 215 milhões de reais. E, dado o histórico de pouco planejamento e imprecisões nos cálculos das obras públicas, não há motivo para crer que esta cifra permaneça nesse patamar.

A construção do Museu do Amanhã é complexa. Para a estrutura do teto se movimentar, como idealizou Calatrava, são necessários eixos móveis e engrenagens que, por exigência do arquiteto, só podem ser produzidas por uma empresa escolhida por ele próprio. A previsão inicial era de 42 eixos. Mas, para conter a gastança, o prefeito contentou-se com apenas dois.

No lançamento das obras, Paes deu sua garantia de que os sucessivos estouros de orçamento da Cidade da Música não vão ocorrer no Museu do Amanhã. “Primeiro, porque o recurso não é público. Não há perigo. O projeto executivo está dominado e detalhado. A grande diferença é que o Museu do Amanhã não é feito com recursos de impostos. Portanto, não se desviou dinheiro de áreas importantes da cidade”, afirma o prefeito, lembrando que o projeto de agora é uma parceria público-privada. O museu será construído pelo consórcio Porto Novo, vencedor da licitação para as obras de revitalização do Porto do Rio.

A prefeitura, segundo o prefeito, vai custear o projeto com recursos de Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), como são chamados os títulos que os construtores devem adquirir para receber autorização para elevar o gabarito na zona portuária. Os Cepacs foram criados para atrelar os recursos para a infraestrutura da região aos projetos do setor imobiliário. Ou seja: quanto mais os contrutores quiserem construir, mais engordarão os cofres públicos – pelo menos em tese. O Banco Santander vai investir 65 milhões de reais na manutenção e na implantação da museografia e do programa de sustentabilidade do projeto até 2023. A inauguração do Museu do Amanhã está prevista para o primeiro semestre de 2014

O prefeito aproveitou a ocasião para espetar Cesar Maia. As obras na zona portuária custarão 4 bilhões de reais e causarão transtornos pelos próximos, no mínimo, quatro anos. “Esse passivo de anos da cidade sem obras de infraestrutura, quando tratamos de tantos temas, é natural que cause transtorno”, afirmou, fazendo referência ao antigo aliado.

Como ficará o Museu do Amanhã: