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Por que bolsonaristas voltaram a defender cloroquina e tratamento precoce contra a covid

Após depoimento do médico Anthony Fauci ao Senado dos EUA, nomes da direita como Nikolas e Eduardo Bolsonaro voltaram a difundir antigas teorias sobre a doença

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 ago 2026, 20h28 | Atualizado em 4 ago 2026, 10h19
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Passados mais de seis anos desde o começo da pandemia global da covid-19, o depoimento do médico imunologista Anthony Fauci ao Senado americano, na quarta-feira, 29, reacendeu entre os bolsonaristas e militantes da direita brasileira declarações de tom negacionista sobre a existência do vírus, a confiabilidade das vacinas e o tratamento precoce com ivermectina — um remédio para vermes que não tem eficácia comprovada contra o coronavírus — e cloroquina, além de teorias conspiratórias sobre o surgimento da doença.

Fauci foi diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) de 1984 a 2022, e entre 2021 e 2022 atuou como conselheiro sobre covid-19 do governo do presidente democrata Joe Biden. Durante a pandemia, travou conhecidos embates com o presidente americano, Donald Trump. Durante a audiência da semana passada, convocada pelo senador republicano Rand Paul, Fauci recorreu mais de cem vezes à Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos para se valer do direito de ficar calado sobre questionamentos envolvendo a origem e o tratamento da doença.

Segundo a sua defesa, a medida foi adotada para se proteger de complicações judiciais e para não dar munição para Paul, um médico que tem histórico de difusão de teorias conspiracionistas e desinformação sobre a covid-19. Ele é filho de Ron Paul, também médico, que na década de 1980 disputou a Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Libertário.

A polêmica deu novo gás às tradicionais contestações da direita mundial sobre a doença. Um dos primeiros a ressuscitar esse tipo de discurso foi o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Direto dos Estados Unidos, ele disse neste domingo, 2, que as pessoas deveriam “pedir desculpas” a Jair Bolsonaro, que “sempre teve razão” sobre o vírus. “Eu sei que muita gente de bom coração culpou Jair Bolsonaro pela morte de um parente querido, ou por alguma coisa né. Caiu em uma fake news em relação à vacina. Sendo que o presidente Bolsonaro só queria dar a liberdade de se vacinar a quem quisesse narrativa mentirosa para tentar assassinar a reputação”, disse Eduardo.

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Outro foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em um vídeo de doze minutos publicado nas suas redes sociais, ele diz que Fauci ficou em silêncio diante do Senado americano porque as páginas de seu diário diriam, em tese, o oposto do que ele defendeu durante a pandemia. Em seguida, Nikolas compartilhou vários posts antigos seus, inclusive contra o lockdown, principal medida sanitária adotada durante a pandemia para impedir a circulação do vírus.

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O senador Magno Malta (PL-ES) disse que “essas últimas revelações do governo americano sobre o Dr. Anthony Fauci só provam que nós e o presidente Bolsonaro estávamos certos desde o início”. “Agora que o mundo inteiro sabe a verdade criminosa sobre as vacinas e a covid-19, fica a pergunta: quem vai reparar o linchamento público daqueles que ousaram pensar diferente? “, disse o ex-ministro e deputado federal Mário Frias (PL-SP). O também ex-ministro Osmar Terra disse que, junto com Jair Bolsonaro, “enfrentamos a ignorância científica na pandemia, na qual mostramos que o ‘fique em casa’ não funcionava e que as vacinas acabaram sendo ineficazes”.

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As polêmicas de Jair Bolsonaro na prisão domiciliar

A pandemia da covid-19 matou mais de 700 mil brasileiros. Durante o governo de Jair Bolsonaro, ele foi investigado por obstruir a compra de vacinas e governadores chegaram a ir à Justiça para adquirir o imunizante das farmacêuticas estrangeiras atravessando a competência federal. Além disso, o ex-presidente protagonizou episódios de descaso e deboche com pessoas contaminadas com o vírus — como quando respondeu “e daí, não sou coveiro”, ao falar sobre as mortes, e quando imitou uma pessoa ficando sem ar.

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