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Por causa do coronavírus, esquerda cancela manifestações de 18 de março

Segundo a UNE, suspensão foi decidida em conjunto com os outros movimentos de oposição; apoiadores de Bolsonaro também haviam cancelado atos de rua

Por Da Redação 13 mar 2020, 15h46

Em comunicado divulgado em suas redes sociais, a União Nacional dos Estudantes (UNE) anunciou o cancelamento dos atos convocados para o dia 18 de março, em razão do aumento dos casos de novo coronavírus no país. A ideia vinha sendo discutida internamente nos últimos dias, mas o posicionamento oficial só foi divulgado nesta sexta-feira, 13. A decisão, segundo a entidade, foi tomada em acordo com outros grupos que participavam da organização do protesto, como movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de oposição.

“Diante do avanço da contaminação do Covid-19 no Brasil, nós, da União Nacional dos Estudantes, acreditamos que esse é um momento de responsabilidade com a saúde do povo brasileiro e por isso, em conjunto com outros movimentos, decidimos pelo adiamento dos atos de rua do dia 18, evitando o fomento de grandes aglomerações conforme orientações da OMS e Ministério da Saúde, mas mantendo as greves e paralisações”, diz a publicação.

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POSICIONAMENTO DA UNE SOBRE O #18M Diante do avanço da contaminação do COVID-19 no Brasil, nós, da União Nacional dos Estudantes, acreditamos que esse é um momento de responsabilidade com a saúde do povo brasileiro e por isso em conjunto com outros movimentos, decidimos pelo adiamento dos atos de rua do dia 18, evitando o fomento de grandes aglomerações conforme orientações da OMS e Ministério da Saúde, mas mantendo as greves e paralisações. Quanto às universidades, após a paralisação das aulas, consideramos ser de extrema importância que os conselhos superiores tenham a responsabilidade de debater esse caso, agregando também elementos de equipes técnicas de saúde, para tomar medidas e suspender as aulas para evitar a proliferação do vírus nos locais em que já há suspeita ou confirmação de casos do Coronavírus. Os cuidados com a saúde pública são muito importantes nesse momento, e os estudantes, professores e cientistas têm mostrado a importância da pesquisa e dos hospitais universitários para a contenção da pandemia. Acreditamos que as universidades devem ter uma ação articulada para buscar formas mais eficazes de tratamento e prevenção, demonstrando a importância da ciência na valorização das nossas vidas. Essa lamentável situação de saúde pública só deixou mais evidente a necessidade de mais investimentos e respeito pelas nossas instituições públicas de ensino e saúde. Desse modo, no dia 18.03, a UNE construirá nas redes sociais o grito de indignação com o que tem acontecido no Brasil, com a educação, democracia e desmonte dos serviços públicos. Também utilizaremos nossos canais para alertar aos estudantes brasileiros dos cuidados e precauções necessárias nesse momento, sem pânico, mas com prevenção. Seguimos incansáveis na luta e contribuindo pela contenção da pandemia e assim que tudo estiver sob controle voltaremos a ocupar as ruas de país.

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  • A pauta das manifestações incluía a defesa da democracia, protestos contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e contra o que o movimento classifica como “desmonte das instituições”. Na nota, divulgada nas redes sociais, a UNE afirma, ainda, que orientará os estudantes sobre as medidas e precauções a serem adotadas com relação à suspensão de aulas em algumas instituições de ensino.

    “Também utilizaremos nossos canais para alertar aos estudantes brasileiros dos cuidados e precauções necessárias nesse momento, sem pânico, mas com prevenção. Seguimos incansáveis na luta e contribuindo pela contenção da pandemia e assim que tudo estiver sob controle voltaremos a ocupar as ruas de país”, afirma o comunicado.

    Na noite da quinta-feira 12, o Instituto Marielle Franco já havia anunciado o cancelamento dos atos convocados para o dia 14 de março, data em que os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes completariam dois anos. Apesar do adiamento, a organização está convocando “um grande amanhecer por Marielle e Anderson” na manhã do sábado. “Pendure uma faixa, lenço, pano amarelo ou girassol na sua janela ou laje ou varanda a partir das 7h deste sábado”, diz a publicação, que também pede que os apoiadores do ato publiquem uma foto em suas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorMarilleEAnderson.

    Mais cedo, também na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro pediu, durante sua live nas redes sociais, e em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, aos seus apoiadores que adiassem as manifestações do próximo domingo, em apoio ao seu governo – o presidente aproveitou a ocasião para defender os atos, que, segundo a sua avaliação, são “espontâneos e legítimos” e de interesse do país.

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