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Por ameaças a Bolsonaro, uso de carro aberto será decidido no dia da posse

Ministro Sérgio Etchegoyen (GSI) apresentou esquema de segurança que será utilizado na cerimônia de 1º de janeiro

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, afirmou nesta terça-feira, 18, que as ameaças contra o presidente eleito Jair Bolsonaro continuam “vivas” e que a decisão de usar ou não um carro aberto na posse do novo governo será tomada no dia da cerimônia – e contará com a avaliação de Bolsonaro.

Etchegoyen observou que apenas um caso de ameaça contra Bolsonaro foi esclarecido até o momento, em referência a uma operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados no Rio de Janeiro. “Toda ameaça só deixa de ser ameaça quando é plenamente esclarecida. Se ameaças ainda não foram [esclarecidas], são ameaças vivas, é dessa forma que tratamos”, defendeu o ministro durante entrevista nesta terça.

Etchegoyen não quis informar qual o tamanho do efetivo de segurança que será empregado durante a cerimônia e se serão usados atiradores de elite, mas confirmou que a equipe será maior que em posses anteriores. O ministro também descartou o uso de bloqueadores de celular durante a cerimônia. “O que vai ser bloqueado serão os sinais com frequências eletromagnéticas de controle de drones, que não serão autorizados, de nenhuma natureza, e as chamadas frequências piratas, clandestinas”, afirmou Etchegoyen.

Por causa do tamanho da família do presidente eleito, o ministro Etchegoyen reiterou que haverá aumento do contingente envolvido na segurança presidencial, mas não revelou o número de pessoas. Como três filhos de Bolsonaro são parlamentares (Eduardo foi eleito deputado federal, Flávio assumirá uma vaga no Senado e Carlos tem um mandato de vereador), Etchegoyen pediu ao Congresso e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro que assumam a segurança nesses casos.

As questões de segurança e de espaço também vão limitar os convites para a cerimônia no Palácio do Planalto, segundo o general Augusto Heleno, futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional. “Estamos prevendo que é impossível convidar todos os parlamentares. A ideia é convidar os líderes dos partidos”, informou.

Já no Itamaraty, está prevista a presença de 2.000 a 2.500 pessoas. De acordo com o embaixador Carlos França, que vem coordenando o cerimonial da posse, estão confirmados até o momento nove chefes de Estado, dois vice-presidentes, oito chanceleres e dois altos dirigentes de organizações internacionais. Entre eles, Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, que deverá chefiar a comitiva americana.

Programa

As barreiras de segurança e as restrições de acesso serão maiores que em anos anteriores. Serão montadas barreiras com revista pessoal, detectores de metal e pórticos em quatro posições ao longo da Esplanada dos Ministérios. O esquema prevê que o acesso só poderá ser feito a pé, a partir da rodoviária que fica no início da Esplanada. A expectativa é que de 250.000 a 500.000 pessoas acompanhem a cerimônia no local.

A segurança também determinou que será proibido o acesso com objetos como bolsas e mochilas, carrinhos de bebê, máscaras, garrafas – mesmo as plásticas –, guarda-chuvas, objetos cortantes, apontadores de laser e armas de fogo. A Esplanada será fechada à zero hora do dia 30 e só será reaberta às 8 horas do dia 2 de janeiro. Não haverá expediente no dia 31 e as forças de segurança começarão a ocupar os espaços já no dia 30.

A previsão no dia 1º é que o presidente eleito saia da Granja do Torto, onde está morando provisoriamente, às 14 horas e comece o desfile na Esplanada dos Ministérios às 14h30. A cerimônia de posse no Congresso Nacional está marcada para às 15 horas.

Depois do Congresso, Bolsonaro sobe a rampa do Palácio do Planalto, recebe a faixa presidencial do presidente Michel Temer (MDB) no Parlatório e discursa em seguida. Já Temer, ao deixar o Planalto rumo a São Paulo, não decidiu ainda se descerá a rampa, como fez Lula em 2011, ao entregar o governo para Dilma Rousseff, ou sairá por uma porta lateral, como fez Fernando Henrique Cardoso, em 2003, na posse de Lula.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)