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Polícia Federal indicia filhos de Romero Jucá por três crimes

Eles responderão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no âmbito da Operação Anel de Giges

A Polícia Federal (PF) informou na noite de quinta-feira que indiciou dois filhos do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do Governo no Senado, no âmbito da Operação Anel de Giges. Segundo a PF, o ex-deputado estadual Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e sua irmã Marina de Holanda Menezes Jucá foram indiciados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

A Anel de Giges investiga o suposto desvio de 32 milhões de reais por meio do superfaturamento na aquisição da Fazenda Recreio, localizada em Boa Vista, e na construção do empreendimento Vila Jardim, do projeto Minha Casa, Minha Vida no bairro Cidade Satélite, na capital de Roraima.

A PF informou que as penas previstas para os crimes atribuídos aos filhos de Jucá chegam a até trinta anos de reclusão — em caso de condenação. “As investigações continuam, com análise do material apreendido e apuração do envolvimento de outros integrantes nas práticas criminosas”, disse o delegado Alan Robson.

Também são investigadas duas enteadas de Jucá, Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo, filhas da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB). Elas e os filhos de Jucá foram conduzidos coercitivamente pela PF, por ordem da Justiça Federal. O superintendente da Caixa em Roraima, Severino Ribas, é outro investigado.

A PF suspeita das transações decorrentes da venda da Fazenda Recreio para a construção do empreendimento Vila Jardim. Os investigadores miram os procedimentos internos da Caixa de fiscalização e aprovação do empreendimento.

Defesas

Romero Jucá publicou nota sobre o caso. “Repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os Poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização.”

“Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de catorze anos e não exibiram nem sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados, e nenhuma prova. Só conjecturas”, afirmou.

Jucá afirmou que a operação da PF é uma agressão à sua família. “Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juíza federal que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje.”

A assessoria de imprensa da Caixa também divulgou nota para se manifestar. “Com relação à Operação Anel de Giges, realizada nesta quinta-feira (28/09), a Caixa Econômica Federal esclarece que as informações estão sendo repassadas exclusivamente às autoridades competentes. A Caixa esclarece que mantém contato permanente com as autoridades competentes, prestando irrestrita colaboração com as investigações e operações policiais.”

(Com Estadão Conteúdo)