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PM solta 262 manifestantes presos em protesto contra Copa

Eles tinham sido detidos no sábado, durante manifestação no Centro. Policiais praticantes de artes marciais ajudaram a pegar vândalos infiltrados

Por Da Redação 23 fev 2014, 13h13

Os manifestantes detidos na noite de sábado pela Polícia Militar em São Paulo foram liberados na manhã deste domingo após serem fichados e fotografados. Ao todo, eles somavam 262 pessoas segundo o último balanço da PM – eram 230 em estimativa anterior. O grupo participava do protesto “Não Vai Ter Copa”, na Praça da República, que reuniu mais de mil pessoas na região central da cidade.

Em ação inédita, a PM deslocou um grupo de policiais praticantes de artes marciais para monitorar o protesto. O objetivo do destacamento, que não utilizou armas de fogo, era identificar pessoas que cometeram atos de vandalismo durante a manifestação e retirá-las do protesto.

Por volta das 19h30, um grupo foi cercado pela PM, que deteve os manifestantes, entre eles integrantes dos black blocs, com técnicas de artes marciais. Um a um, os manifestantes foram retirados do cordão de isolamento e revistados. Segundo a PM, os detidos tinham máscaras, sprays, estilingues, bolas de gude e correntes.

Todos os detidos foram obrigados a aguardar sentados a chegada de cinco ônibus que os conduziram a sete delegacias, onde foi feita uma triagem para que a polícia decidisse quem seria autuado em flagrante. Entre eles, havia cinco jornalistas que acompanhavam o protesto a trabalho. Segundo o advogado André Zanardo, ligado aos manifestantes, a polícia fez um boletim de ocorrência coletivo acusando todos os detidos de desacato, resistência, desobediência e lesão corporal.

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Ação prévia – Horas antes da manifestação de sábado, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de três suspeitos de participação em atos de vandalismo durante outros protestos em São Paulo. A ação fazia parte da estratégia traçada pela polícia para tentar esvaziar o movimento. À tarde, 20 dos 40 suspeitos que haviam sido intimados pelo Deic para depor durante o protesto foram ouvidos na sede do departamento na Zona Norte de São Paulo.

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Os depoimentos começaram por volta das 16 horas – uma hora antes do início da manifestação no centro. O diretor do Deic, delegado Wagner Giudice, disse que a decisão de convocá-los durante a manifestação também faz parte da estratégia de conter o protesto, a exemplo do que ocorre na Inglaterra em dias de jogos de futebol, e poderá ser usada em futuras manifestações.

O inquérito policial para investigar a atuação dos black blocs foi iniciado em outubro de 2013. Segundo Giudice, quase 300 pessoas já foram ouvidas. O objetivo do inquérito é identificar os organizadores dos atos de vandalismo em manifestações, que podem ser indiciados por formação de quadrilha e associação para o crime.

(Com Estadão Conteúdo)

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