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Plano de Bernardo para ajuste fiscal não convence Dilma

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, apresentou à presidente eleita, Dilma Rousseff, um plano de ajuste fiscal que prevê um crescimento das despesas menor do que o Produto Interno Bruto (PIB) como forma de aumentar os investimentos. Essa mesma ideia era o mote de um plano elaborado em 2005 por Bernardo e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Na ocasião, Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil, classificou a proposta como “rudimentar” e liderou o grupo de ministros contrários à ideia.

Segundo a edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, Dilma continua sem comprar a ideia. “Ela me perguntou como fazer para aumentar os investimentos e eu disse que, se fizermos com que a despesa cresça menos que o Produto Interno Bruto, em quatro anos conseguiremos praticamente dobrar o volume de investimentos”, afirmou o ministro do jornal.

O ministro afirmou que a presidente eleita lhe pediu que mostrasse simulações pelas quais os investimentos cresceriam 1 ponto porcentual em relação ao PIB em quatro ou cinco anos. A previsão é de que os investimentos cheguem a 52 bilhões de reais em 2001 – desse total, 44 bilhões de reais correspondem a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao apresentar sua proposta, Bernardo conta que Dilma não parece ter ficado muito convencida. “Ela ficou olhando para mim…”, afirmou.

Bernardo, porém, disse: “A presidente gerenciou vários programas, o PAC, o Minha Casa Minha Vida, e viu como funciona a briga para abrir espaço no Orçamento para os investimentos”. Segundo ele, Dilma está empenhada em criar condições para investir mais. “Se não temos planos de aumentar impostos, temos de ter um nível de despesas condizente”, completou.

O objetivo do plano elaborado por Bernardo e Palocci era derrubar o déficit nominal – diferença entre as despesas com juros e o superávit acumulado – a zero, criando condições para a redução das taxas de juros no país.