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Planalto teme que lista de Janot piore crise com Congresso

Avaliação é que retaliações de Renan e Cunha à inclusão de seus nomes possa prejudicar votações de interesse do Executivo, criando clima de instabilidade

Por Da Redação 4 mar 2015, 09h40

A presidente Dilma Rousseff está preocupada com o agravamento da tensão com o Congresso após a apresentação da lista da Procuradoria-Geral da República. O temor é que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não apenas culpem o governo por estarem citados na lista como inviabilizem qualquer votação de interesse do Executivo, criando um clima de instabilidade política. Nesta quarta-feira, Dilma se reúne com líderes do Senado e da Câmara a fim de acalmar os ânimos.

A avaliação interna no Planalto é a de que Cunha pode agir como Renan – que já retaliou o governo na terça, devolvendo ao Executivo a medida provisória que onera a folha de pagamento – e interpretar que foi incluído “na marra” na lista dos suspeitos da Operação Lava Jato, numa “manobra” arquitetada pela Polícia Federal para neutralizar o seu poder de fogo na Câmara. Na tentativa de se contrapor ao efeito bumerangue, Dilma planeja fortalecer o PMDB, abrindo mais espaço para o partido no primeiro e no segundo escalões da equipe. O problema é que uma das vagas que poderiam ser dadas a Cunha é justamente o Ministério do Turismo, ocupado por Vinícius Lages, afilhado de Renan.

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Ajuste – Dilma também fará concessões em projetos a fim de evitar novas derrotas que comprometam seu ajuste fiscal. Já aceita afrouxar prazos estabelecidos em duas Medidas Provisórias editadas em dezembro – a 664 e a 665 – que integram seu plano de ajuste. O Planalto aceita diminuir, por exemplo, a carência para o pagamento do seguro-desemprego.

O modelo antigo estabelecia carência de um semestre, mas o texto do Executivo altera para dezoito meses na primeira solicitação, doze meses na segunda e seis meses a partir da terceira e é justamente esse novo prazo que será flexibilizado para obter aprovação do Legislativo. O governo também deve concordar em flexibilizar a carência para o recebimento de pensão por morte. Antes da medida provisória, não havia carência para esse tipo de benefício. Agora, o pagamento depende de um período de carência de no mínimo 24 contribuições mensais.

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Quando Cardozo se mobiliza para, como direi?, manter conversas informais com Janot, o que Brasília inteira leu, embora muitos não queiram vocalizar, é que a dita-cuja obedece, digamos, a uma orientação também política. Nos bastidores, o governismo sabia que alguns nomes do petismo fatalmente estariam lá. A questão era saber quais outros.

Cardozo passou a impressão – que até pode estar errada, né? – de que ele tinha poder sobre a lista. Olhem aqui: pior do que não exercer um poder que se tem é dar a impressão de ter um poder que não se tem. O fato é que Cardozo jamais poderia ter se metido nessa operação – o que inclui a conversa com advogados sobre a conveniência de delações premiadas. Ao fazê-lo, o sistema político sentiu o cheiro da armação. Verdade? Mentira? Pois é… O fato é que Cardozo faz cara de sabido, não é? E essa é outra coisa que também não convém fingir.

(Com Estadão Conteúdo)

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