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Planalto e Gilberto Carvalho se contradizem sobre denúncia

Ambos receberam email em que sindicalista relata tentativa de extorsão no Trabalho. Cada um arranjou uma desculpa diferente para justificar omissão

A cada dia, o Palácio do Planalto e a Secretaria-Geral da Presidência se complicam mais na tentativa de mostrar que não foram avisados de forma clara a respeito da denúncia de extorsão dentro do Ministério do Trabalho, revelada por VEJA. O sindicalista Irmar Batista enviou, em fevereiro deste ano, e-mails aos dois órgãos relatando que, para liberarem o registro de seu sindicato, assessores de Lupi exigiram dinheiro.

Em nota divulgada nesta terça-feira em resposta a uma reportagem do site de VEJA, a assessoria de Gilberto Carvalho foi taxativa: “A Secretaria-Geral da Presidência da República não recebeu, em fevereiro deste ano, nenhum e-mail dirigido ao ministro Gilberto Carvalho contendo denúncias relativas ao registro de um sindicato em 2008”. Mas não foi bem assim.

Página da Secretaria-Geral mostra endereço eletrônico do ministro Gilberto Carvalho Página da Secretaria-Geral mostra endereço eletrônico do ministro Gilberto Carvalho

Página da Secretaria-Geral mostra endereço eletrônico do ministro Gilberto Carvalho (/)

O comprovante encaminhado pela própria Secretaria-Geral a VEJA desmente a nota e confirma que a mensagem foi recebida na íntegra. O assunto do e-mail:”Denúncia contra a SRT do MTE”, em referência à Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.

A assessoria de Carvalho prende-se a um detalhe: diz que a mensagem não foi enviada diretamente ao ministro, por isso foi descartada. Acontece que Batista encaminhou o relato direto para o endereço sg@planalto.gov.br. No site da Secretaria-Geral, o endereço consta como sendo o de Gilberto Carvalho. (veja na imagem acima)

Não consta na nota divulgada pela Secretaria-Geral, mas os assessores admitiram por telefone a VEJA, que o e-mail foi sim recebido na íntegra.

Como se não bastasse, VEJA obteve o e-mail em que a Presidência da República confirma ter recebido a denúncia de Irmar Batista (veja abaixo). Em 9 de março, o Planalto pede que o sindicalista confirme a mensagem enviada anteriormente. Embora a correspondência apareça incompleta na versão apresentada pela Presidência no pedido de confirmação, o trecho que fala da venda de registro sindical, com o nome dos envolvidos, foi preservado. Ainda assim, nada foi feito.

O material derruba a versão do Planalto, que alegou ter recebido o email cortado, com informações insuficientes.Talvez a omissão da cúpula do governo ajude a explicar porque o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, não é demitido.

Reprodução

Trechos de mensagem enviada por sindicaslista Trechos de mensagem enviada por sindicaslista

Trechos de mensagem enviada por sindicaslista (/)