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PL cancela filiação de Bolsonaro marcada para dia 22 de novembro

Em carta, Valdemar Costa Neto diz que decisão se deu "após intensa troca de mensagens na madrugada"

Por Letícia Casado Atualizado em 14 nov 2021, 16h15 - Publicado em 14 nov 2021, 11h15

O PL anunciou na manhã deste domingo, 14, o cancelamento do evento para a filiação do presidente Jair Bolsonaro, que estava marcado para o próximo dia 22. Em carta, o cacique da legenda Valdemar Costa Neto diz que decisão do adiamento se deu em comum acordo “após intensa troca de mensagens na madrugada”.

Em um segundo comunicado, o PL informou que “ainda estuda outras datas para a realização do evento, a ser anunciada oportunamente”.

Bolsonaro e Costa Neto precisam chegar a um acordo sobre quem a legenda vai apoiar para o governo paulista na eleição de 2022.

O presidente está em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Durante a madrugada do Brasil o presidente disse que “era difícil” que a data de 22 se concretizasse já que ainda “tem muita coisa a conversar”, informou o portal G1. “Acho difícil essa data de 22. Tenho conversado com ele, e estamos em comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento para que ele não comece sendo muito igual os outros. Não queremos isso.”

O evento, em Brasília, já estava sendo organizado. Durante semanas Bolsonaro negociou a filiação com o PL e o PP. Há cerca de um mês o presidente chegou a bater o martelo com o PP, do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e legenda pela qual foi filiado durante anos. Já as conversas com o PL começaram em dezembro de 2020 e se intensificaram nas últimas duas semanas.

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Costa Neto chegou a acertar com Bolsonaro alguns nomes para concorrer ao Senado, como o do empresário Luciano Hang, por Santa Catarina. Mas a situação em São Paulo ainda é um complicador. Bolsonaro e Costa Neto já haviam conversado sobre a posição do PL no estado. O partido está na base do governador João Doria, adversário político do presidente. Nas conversas anteriores ao anúncio da filiação, o cacique do PL sinalizou que estaria disposto a chegar a um consenso sobre como ficaria o palanque no Estado no próximo ano, mas as declarações de Bolsonaro em Dubai surpreenderam os integrantes da legenda.

Ainda no primeiro ano de governo, Bolsonaro rompeu com a cúpula do PSL, legenda pela qual foi eleito, depois de meses de desentendimentos internos e disputas por cargos e controle de fundos. Em novembro de 2019, anunciou a criação do Aliança pelo Brasil, que não deu certo. Seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), articulou a migração da família para o seu partido, Patriota, o que tampouco prosperou. 

Uma das maiores bancadas da Câmara, o PL tem 43 deputados federais e 4 senadores. A aposta no partido é que a filiação de Bolsonaro deve atrair dezenas de outros parlamentares, o que permitiria à legenda aumentar as fatias dos fundos eleitoral e partidário para financiar as campanhas de 2022. Cerca de 25 deputados do PSL aguardam a filiação do presidente para trocar de partido. Na eleição de 2020 o PL recebeu mais de R$ 61 milhões do fundo partidário e R$ 117 milhões de fundo eleitoral.

PL cancela filiação de Bolsonaro, marcada para dia 22
Reprodução/Arquivo

 

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