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Pimentel vai a Genebra mas falta à agenda oficial

Ministro viajou às custas dos cofres públicos para representar o Brasil em conferência da OMC, mas não apareceu sequer na abertura do evento

Escalado pela presidente Dilma Rousseff para participar da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça, no momento em que é alvo de suspeitas de tráfico de influência, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, simplesmente não apareceu na abertura do evento. Ele ausentou-se também de outra reunião em que era aguardado, com países emergentes. Lembre-se que o ministro e sua comitiva viajaram às custas dos cofres públicos para representar o Brasil no evento.

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A presença de Pimentel na abertura do evento, nesta quinta-feira, estava confirmada. Dela participaram ministros de comércio de todo o mundo. A conferência acontece a cada dois anos. O ministro desembarcou na Suíça no fim da manhã de quarta-feira e participou de duas reuniões e de um almoço. Primeiro encontrou a delegação sueca para um encontro que, segundo ele mesmo, não teve “nada de muito específico”. Depois, participou de um almoço de pouco mais de uma hora com os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e foi a outra reunião de uma hora para debater assuntos agrícolas.

A ausência do ministro na abertura da conferência surpreendeu embaixadores brasileiros. Diplomatas tentaram justificar a falta do ministro à reunião dos com os países emergentes. Disseram que a OMC transferiu o local da reunião para outro edifício, o que dificultaria que Pimentel pudesse manter suas “reuniões bilaterais” agendadas para horário próximo.

Abordado pela reportagem de O Estado de S.Paulo no aeroporto de Genebra ao deixar o país, Pimentel recusou-se a dar explicações sobre as conflitantes versões dos serviços de consultoria prestados à Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) por sua empresa, a P-21. Segundo reportagem do jornal O Globo, unidades regionais da Fiemg desconhecem palestras que Pimentel, segundo o então presidente da federação, Robson Andrade, teria dado para justificar o pagamento de 1 milhão de reais da entidade por seus serviços de consultoria.

“Eu não falo sobre isso. Tudo o que tinha para falar já falei”, disse o ministro. Segundo a assessoria de Pimentel, o ministro falou de atividades de consultoria à Fiemg, não de palestras. Diante da insistência de jornalistas sobre o caso, ministro reagiu, minutos antes de embarcar ao Brasil: “No more (não mais). Esse assunto já não é mais comigo. Estou voltando para o Brasil, tenho que trabalhar, queridos”.

Outra ausência – No Brasil, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), hoje presidida por Andrade, o caso envolvendo Pimentel gerou constrangimento durante visita de comitiva de empresários europeus. De última hora, o presidente da CNI e anfitrião do evento decidiu não comparecer, evitando desta forma a imprensa.

A assessoria de imprensa da CNI, explicou que Robson Andrade precisou viajar às pressas, por motivos pessoais, e, portanto, não pode comparecer. Informou ainda que ele não comentaria as notícias veiculadas porque todos os esclarecimentos sobre a consultoria feita pelo ministro à Fiemg já foram dados.

Com a ausência inesperada de Andrade, o diretor de operações da CNI, Carlos Abijaodi, fez a leitura do discurso do presidente da entidade. A Fiemg também manteve silêncio sobre os serviços prestados por Pimentel. Em entrevista no início da tarde, o atual presidente da entidade, Olavo Machado Júnior, afirmou que não estava a par do assunto.

No início da noite, a federação divulgou nota: “Não temos mais informações a prestar. Também não temos quaisquer outras declarações a fazer, uma vez que consideramos que todas as informações já foram devidamente prestadas.”

(Com Agência Estado)