PF vê pastor Márcio Poncio como elo de lavagem da máfia do cigarro
Pai de deputada estadual é descrito em investigação como 'personagem relevante no eixo econômico relacionado ao mercado clandestino de cigarros'
Preso na quinta fase da Operação Unha e Carne, o pastor e empresário do ramo do tabaco Márcio Poncio é suspeito de envolvimento com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da máfia do cigarro. A Polícia Federal descreve o pastor como um “personagem relevante no eixo econômico relacionado ao mercado clandestino de cigarros”.
O objeto central da investigação é uma estrutura que seria liderada pelo contraventor para comprar apoio político. Os investigadores veem o pastor como um elo da lavagem de dinheiro do esquema. Márcio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (SDD).
“A relevância cautelar de Márcio Poncio decorre de sua possível atuação como elo entre atividade antecedente – produção, distribuição e exploração econômica de cigarros clandestinos/falsificados – e os mecanismos subsequentes de ocultação e dissimulação patrimonial atribuídos à organização de Adilson Oliveira Coutinho Filho”, afirma a PF na representação da Operação Unha e Carne.
A prisão preventiva do pastor foi convertida em domiciliar humanitária com tornozeleira eletrônica pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Procurado por VEJA, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kaky, afirmou que Poncio está à disposição das autoridades e que as suspeitas serão esclarecidas com o desenrolar da investigação. “A prisão dele era claramente desnecessária tanto que o Ministério Público se manifestou desde o primeiro momento contrário. Neste momento a defesa técnica reforça os argumentos que levou ao Ministro Alexandre de Moraes sobre a necessidade premente da imposição de uma domiciliar, pela gravidade do seu estado de saúde”, informou a defesa.
Um dos elementos destacados pelos investigadores foi encontrado no celular apreendido com o ex-deputado Rodrigo Bacellar (União), que foi presidente da Assembleia Legislativa. O aparelho continha um contato salvo como “Pastor Márcio Poncio”, associado a um número internacional. Em uma mensagem enviada em 9 de junho de 2025, Poncio escreveu: “Desculpe a ligação presidente”. Depois do contato, o aplicativo foi configurado para apagar automaticamente as novas mensagens após sete dias.







