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PF prende André Vargas e Luiz Argôlo em nova fase da Lava Jato

Ex-deputados federais foram os primeiros flagrados em conversas com o doleiro Alberto Youssef, operador do esquema do petrolão

Por Alexandre Hisayasu, de Curitiba, Daniel Haidar e Felipe Frazão 10 abr 2015, 07h37

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a 11ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “A Origem”. Os ex-deputados federais André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA) estão entre os presos preventivamente. Assessores dos dois políticos também foram presos. Todos serão levados para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

Vargas e Argôlo foram os primeiros parlamentares flagrados pela Polícia Federal em conversas nebulosas com o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do petrolão, a partir de interceptações telefônicas autorizadas pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

Moro solicitou ao Supremo Tribunal Federal a transferência para um presídio em Curitiba do mensaleiro Pedro Corrêa, também alvo de prisão preventiva na Lava Jato. Ele cumpria pena do mensalão em regime semiaberto em Pernambuco.

O juiz também decretou a prisão temporária do irmão de Vargas, Leon Vargas, Ricardo Hoffmann e Eliza Santos da Hora. Os alvos de condução coercitiva são, entre outros, Marcelo Simões e Edilaira Soares Gomes.

A pedido da PF, Moro determinou o sequestro de um imóvel de alto padrão em Londrina.

Cerca de oitenta policiais federais foram mobilizados para cumprir 32 mandados da Justiça Federal: sete de prisão, nove de condução coercitiva e dezesseis de busca e apreensão no Paraná, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Além das fraudes na Petrobras, esta fase da Lava Jato tem como alvo acusados de desvios em outros órgãos públicos federais, segundo a PF.

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Os investigadores já haviam encontrado indícios de que André Vargas tinha se associado a Youssef para fazer lobby no Ministério da Saúde, em prol do laboratório Labogen, que firmava um convênio avaliado em cerca de 135 milhões de reais com um laboratório da Marinha. Em uma mensagem de aplicativo Blackberry, Youssef disse a Vargas, que fazia lobby no ministério: “Você vai ver o quanto isso vai valer, tua independência financeira. E nossa também, é claro”.

A nova fase da Lava Jato foi deflagrada após o Supremo Tribunal Federal remeter à primeira instância inquéritos que tramitavam na corte por envolver suspeitos com foro privilegiado. As investigações apuram os crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude a procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência que teriam sido praticados por três grupos de ex-agentes políticos.

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